Lúcio Horta
De Londrina
Um arrastão realizado ontem de manhã pela Polícia Federal e Receita Federal apreendeu centenas de fitas cassete, CDs, cigarros, brinquedos e até flores artificiais, a maioria contrabandeada do Paraguai. A operação, concentrada nas ruas ao lado do Terminal Urbano, área central da cidade, foi determinada pela Procuradoria da República de Londrina, que atendeu representação da Companhia Municipal de Urbanização (Comurb) e Associação dos Camelôs.
Segundo o delegado Sandro Roberto Viana dos Santos, da Polícia Federal de Londrina, foram utilizados na operação 17 agentes da polícia e outros oito fiscais da receita. O material apreendido foi encaminhado para a Receita Federal, que irá contar, separar e dará a ele um destino final.
Santos informou que a maioria dos ambulantes fugiu assim que a polícia chegou, abandonando a mercadoria no chão. Somente um, que deixou os documentos junto ao material apreendido, foi identificado e responderá a inquérito por contrabando (penas de um a quatro anos de prisão). O delegado não quis revelar o nome do acusado.
‘‘Usamos praticamente todo o efetivo. E foi um corre-corre muito grande. A nossa orientação foi que os policiais não perseguissem crianças para que não houvesse o risco de acidentes, como atropelamento’’, acrescentou o delegado-chefe da PF em Londrina, José Roberto Morel.
O delegado disse ainda que encaminhará ofício à Procuradoria solicitando que este tipo de serviço, da próxima vez, seja realizado pela Polícia Militar (PM). Ele justifica: ‘‘Nosso efetivo já é pequeno e não dá para parar todo o serviço da delegacia para ir atrás de sacoleiro’’, observou.
Morel acredita também que se o trabalho fosse realizado pela PM, que tem condições de disponibilizar um efetivo maior, o resultado da operação poderia ter sido melhor. Segundo informações da Procuradoria, o pedido da PF será analisado pela procuradoria assim que chegar ao órgão.
O arrastão provocou descontentamento em quem estava trabalhando no centro. Uma moça de 38 anos que teve a carga de cigarros apreendida declarou: ‘‘É um prejuízo muito grande, vai fazer falta. Estou desempregada e tenho dois filhos para sustentar. A luz está cortada, a água está para cortar e não sei o que fazer’’, disse, desolada.
Ainda segundo ela, com o trabalho como camelô era possível ao menos comprar alimentos para os filhos. ‘‘E agora, será que vou ter que roubar? Roubar não vou, então não tem saída’’, lamenta. Ela garantiu que o produto que estava vendendo não era contrabandeado. ‘‘Era comprado aqui mesmo, em feiras, por aí.’’

mockup