Arrastão em boate apreende menores
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sexta-feira, 27 de outubro de 2000
Alexandre Sanches De Londrina 
Dois homens foram presos e três menores apreendidas na madrugada de ontem, durante uma blitz na Boate Paradise, próximo ao Shopping Catuaí, na zona sul de Londrina. A Promotoria da Vara da Infância e Juventude, policiais militares e oficiais de Justiça fizeram uma operação surpresa, que começou por volta das 23h30 de anteontem, atendendo a uma denúncia de um homem dizendo que a sua filha, de 17 anos, estaria se prostituindo nesta boate.
As três menores apreendidas, com 15, 16 e 17 anos, foram levadas para o Centro Integrado de Atendimento ao Adolescente Infrator (Ciaadi), onde foram autuadas por estarem com documentos falsos. Todos elas mostravam idade superior a 20 anos. Estas identidades falsificadas constavam ser emitidas pelo Estado de São Paulo, comentou a promotora Edina Maria Silva de Paula.
O proprietário do estabelecimetno, Wagner Baena Nascimento, 44 anos, e João Torres Rosa, 59 anos, responsável pelo transporte das garotas, foram autuados por favorecimento à prostituição. Nascimento também responderá por porte ilegal de armas, por causa de um revólver calibre 38 encontrado no seu escritório.
A denúncia foi feita há cerca de dois meses para o Centro de Direitos Humanos (CDH) de Londrina. Gelson Gil, membro do CDH, começou a fazer algumas diligências para comprovar a presença da menor na boate. No início desta semana acompanhei o depoimento do pai na Promotoria da Infância e Juventude, o que deu início à blitz, informou.
Na ação policial, foram revistados vários clientes e haviam 17 moças no local. Na averiguação dos documentos, as menores entregaram as identidades falsas. Uma delas eu atendi há pouco tempo na promotoria e ela confessou que era menor. A adolescente de 15 anos, por exemplo, quando confessou estar com documentos falsos, afirmou que estava se prostituindo desde os 12 anos, relatou a promotora Edina de Paula.
O trabalho maior da polícia, agora, é descobrir como estes documentos falsificados chegaram às mãos das menores. Wagner Nascimento negou ter sido ele o responsável pela falsificação e as menores não explicaram como adquiriram as identidades. Alguém forneceu o documento. E queremos saber quem foi e como se dá este esquema, salientou Edina.
Como a prostituição não é considerada crime, as menores foram enquadradas em falsificação de documentos e as demais garotas ouvidas e liberadas em seguida. A menor, denunciada pelo pai, não foi encontrada na boate. De acordo com Gelson Gil, ela esteve por volta das 22 horas no local, mas saiu em seguida, provavelmente para outra boate.
Edina de Paula afirmou que Wagner Nascimento tinha dois esquemas de prostituição. O primeiro na boate, onde as garotas de programa faziam seus encontros. E o outro, contatado por telefone, em que as prostitutas eram levadas por João Rosa até o cliente. Neste caso, o programa custava mais caro. Durante a blitz foi apreendida uma agenda com nomes e telefones, que poderá ajudar a polícia nas investigações.
A promotoria espera que, após esta denúncia, outros pais que possuam as filhas menores na prostituição resolvam procurar o Ministério Público. Mas ela alerta: as denúncias devem ser feitas diretamente à promotoria. Sabemos que há outras boates que favorecem a prostituição de menores e estamos investigando, salientou, dizendo que por causa desta blitz, as boates devem parar, temporariamente, com o agenciamento de menores.


