Arrastão contra o mosquito da dengue
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sábado, 29 de janeiro de 2005
Francismar Lemes<br> Reportagem Local 
Dizem que a doença é obra do coisa ruim que o diga a dona de casa Maria de Jesus de Souza, 68 anos, que resumiu numa frase a importância do arrastão para eliminar possíveis criadouros do mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue. A operação teve início anteontem, na Vila Marízia (Área Central). ''A limpeza, Deus amou'', disse ela, que juntou um monte de madeira velha em frente à sua casa para que um dos dois caminhões da prefeitura, que participavam do trabalho, levassem.
O mutirão prosseguiu ontem na Vila Marízia e na segunda e terça-feira a operação será realizada no Conjunto Novo Amparo (Zona Norte). As duas regiões foram escolhidas porque os índices de infestação do mosquito na cidade foram de 6,1% e 4,6% respectivamente. O índice médio na cidade, divulgado em janeiro, é de 1,8%. A operação é promovida pelas secretarias municipais de Saúde, Obras e Meio Ambiente (Sema), Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) e comunidade.
Caminhões, um trator, 20 funcionários da prefeitura,integrantes da ONG Reciclando Vida e mais de mil sacos plásticos de lixo tentaram, com o mutirão, levantar uma barreira contra a dengue.
''Os moradores foram orientados pela Secretaria de Saúde a colocarem o lixo acumulado nos quintais e que poderia se transformar em criadouros do mosquito. Colocamos para a população que, se não houver um trabalho continuado, com o envolvimento de escolas, por exemplo, não adiantará nada o arrastão'', destacou o diretor de Saúde Ambiental, Maurício Barros.
A opinião é compartilhada pela presidente e coordenadora da ONG Reciclando Vida, Verônica Cardoso, 30 anos, que ajudava as equipes a separarem o lixo reciclável. ''É muito importante para colaborar com a limpeza da vila, proteger o meio ambiente e deixar a região mais bonita para as pessoas morarem. Só que a ação deveria acontecer diariamente'', avaliou a líder comunitária.
Da porta de casa, dona Maria de Jesus de Souza acompanhou a coleta de lixo, agradecendo a Deus pelo mutirão levar embora, além do risco do aparecimento de possíveis criadouros do mosquito da dengue, a proliferação de ratos e insetos.
Porém, esse é um trabalho de conscientização demorado. Embora as campanhas de combate à dengue aconteçam há vários anos, ainda existem os que não querem colaborar. Na semana passada, na Vila Marízia, foram encontrados mais de 30 focos do mosquito. Somente numa residência, os agentes de saúde encontraram cinco focos.


