O clima caipira tomou conta da sala de espera do Hemocentro do Hospital Universitário (HU) de Londrina, ontem de manhã. A festa julina é promovida todos os anos por voluntários, que contam com doações da comunidade e entidades parceiras, como a ONG Viver.
Com força de vontade e solidariedade, é possível transformar o ambiente hospitalar em um espaço cheio de brincadeiras e comidas típicas. O pequeno Cauã Silva, de 4 anos, que está em tratamento há um ano contra leucemia, parecia ter se esquecido do motivo pelo qual estava no hospital. "Ele passa muito tempo aqui e quando tem uma festa dessa, ele transforma a tensão em distração. Acho muito importante e estou adorando", disse a mãe Cláudia Leite Carvalho.
A família de Santo Antônio da Platina (Norte Pioneiro) também aprovou a iniciativa. "É uma festa gostosa, onde as crianças não se sentem diferenciadas das outras. É uma mistura de emoções, que acaba ajudando tanto quem está em tratamento quanto a própria família", contou Cristiane Cirino, que descobriu há três meses que a filha Gabriela, de 1 ano, tem leucemia.
Toda segunda-feira a família vem até Londrina para o tratamento. "É uma descontração para as crianças e os pais também acabam interagindo melhor", observou o pai João, enquanto acompanhava a outra filha, Maria Clara, na pescaria.
Os adultos que aguardavam consulta também entraram no clima e se contagiaram com a alegria dos pequenos. "O ambiente fica mais animado e a gente acaba se divertindo junto. Isso é muito bom", comentou a paciente Lourdes Aparecida Lemes, de 39 anos.
Durante toda a manhã, os pacientes participaram de brincadeiras típicas, como a pescaria, argola e frango na panela. Além disso, os adultos montaram uma quadrilha e versos da bíblia foram distribuídos através do "Correio Celestial". "Tudo isso é para alegrá-los e fazer com que eles passem por esse tratamento de forma mais leve e divertida", explica a voluntária Dorian Guerra, que há oito anos atua com as crianças da quimioterapia ambulatorial. "Toda segunda a gente conta histórias e faz brincadeiras. Sei que faz uma diferença na vida deles e na nossa também", avaliou.
Para a assistente social do HU, Eliana Aparecida Palú Rodrigues, "as crianças precisam sentir que estão em um ambiente acolhedor e de alegria. Se elas ficarem só pensando na picada da injeção, entre outras coisas ruins, acabam tendo uma certa resistência ao tratamento." Atualmente, o HU realiza uma média de 500 atendimentos por mês nas clínicas de quimioterapia. Só no setor de cirurgia e hemato infantil são aproximadamente 40 pacientes.

Lacre Solidário
Neste mês, o Hemocentro do HU lança a campanha do Lacre Solidário. A instituição pede que toda a comunidade entre anéis das latinhas de bebidas em garrafas pets ao setor de quimioterapia do hospital.
Os materiais recolhidos serão comercializados e a renda obtida será revertida para a compra de materiais e promoção de campanha de prevenção. De acordo com a administração do setor, 36 quilos de anéis equivalem a R$ 2,70.

Serviço:
Os lacres podem ser entregues no prédio do Hemocentro, na Rua Cláudio Donizete Cavalieri, 156, no Jardim Aruba. Mais informações pelo fone (43) 3371-2609 ou 3371-2465.

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