A documentação do Arquivo Público do Paraná vai ser transferida dentro de oito meses para uma nova sede, na rua dos Funcionários, no bairro do Juvevê. Amanhã, o governador Jaime Lerner vai autorizar a construção do prédio, onde serão investidos cerca de R$ 3,6 milhões. Com isso, documentos como um processo criminal instaurado em 1725, o testamento de Baltazar Carrasco dos Reis, registros de imigrantes, listas de escravos ou os arquivos do Dops, hoje guardados em ambientes precários, vão ser acondicionados em locais mais adequados, protegidos da ação do tempo e clima.
‘‘Apesar dos esforços, o acondicionamento está longe do ideal’’, admitiu a coordenadora do setor de Conservação do Departamento Estadual de Arquivo Público, Silvana Bojanoski. Ela explica que desde do incêndio, que destruiu parte da história paranaense, em 1989, não existe um local apropriado. ‘‘Apenas nos últimos três anos, os funcionários do arquivo estão realizando um novo processo de conservação, que minimiza a ação do tempo’’, informou Silvana.
Mas isto tem sido pouco, já que algumas seções, como a intermediária (onde estão documentos cujo acesso é restrito ao público), os papéis estão guardados em estantes impróprias, ficando cheios de poeira e umidade. ‘‘O novo prédio vai ter salas climatizadas e material adequado. Também haverá laboratórios de conservação, restauro e microfilmagem’’, informou. Hoje, apenas uma pequena parcela dos documentos são filmados. ‘‘Mas as máquinas leitoras ainda são em pequenos números’’, complementou. Do arquivo atual, os documentos do Dops (Departamento Estadual da Ordem Política e Social) estão sendo microfilmados.
Por enquanto, o Arquivo Público não está recebendo os documentos das secretarias estaduais. ‘‘Com o incêndio, a área de trabalho diminuiu’’, conta o coordenador de Gestão de Documentos, Décio Roberto Szvarça. Atualmente, os funcionários do arquivo vêm executando um novo tipo de seleção da documentação, que eliminou 110 toneladas de papel. ‘‘Com comissões em cada órgão, é feita uma avaliação da importância de cada documento’’, disse. Com isso, Szvarça, que se baseia em dados internacionais, afirma que de cada 100 documentos, apenas dez são relevantes para manter a memória paranaense. ‘‘Esse processo é para evitar casos como o que aconteceu com uma pesquisadora que buscava relatórios de importação e exportação do Paraná, no início do século, e só encontrou os memorandos informando o envio do relatório’’, ilustrou.

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