De 1987 até o ano passado, o Departamento de Arquivo Público Estadual não recebeu qualquer documento das secretarias de Estado. Motivo: o prédio alugado pelo governo não comportava mais tanta papelada. Ali estão guardados ofícios, certidões, livros e fichas que, se colocados lado a lado, somariam sete quilômetros. Desta quantidade, apenas 30% é microfilmada. Para encontrar novos lugares, a direção foi obrigada a fazer uma avaliação do que poderia ser inutilizado. O balanço chegou a nada menos que 150 toneladas de papel.
A diretora do arquivo, Regina Gouvea, diz que o prédio não foi construído para suportar o peso proporcionado pelo volume de papéis. Em 1989, o antigo prédio do Arquivo Público, na Rua dos Funcionários, no bairro Juvevê, em Curitiba, foi destruído por um incêndio.
O arquivo funcionou, então, provisoriamente num galpão em péssimas condições, que servia de centro de triagem da documentação. Em 1996, o arquivo foi transferido para um prédio alugado na Avenida Cândido de Abreu, no Centro Cívico. Para maio do próximo ano está prevista a inauguração de um novo prédio na Rua dos Funcionários. O Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) financia a construção, avaliada em R$ 3,5 milhões.
Apesar das dificuldades, o arquivo já mostrou sua utilidade prática. Segundo a diretora Regina Gouvea, as informações contidas nas fichas da Delegacia de Ordem Política e Social (Dops) ajudaram 284 pessoas a juntarem provas para reclamar indenizações por causa das perseguições sofridas durante a ditadura militar.
Para economizar espaço, a assessora técnica do arquivo, Cynthia Roncaglio, diz que, desde 1995, está em prática o programa chamado ‘‘Gestão de Documentos’’. O objetivo é classificar o que deve ser guardado ou o que pode ser jogado fora com a finalidade de economizar espaço. (D.V.)

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