O relatório da Comissão Especial de Inquérito (CEI), da Câmara Municipal de Londrina, criada para apurar as denúncias contra vereadores que estariam utilizando ‘‘servidores-fantasmas’’ e revertendo dinheiro para benefício próprio e relacionadas a contratação irregular de servidores pela Companhia Municipal de Urbanização (Comurb), foi arquivado. O relatório foi inserido na pauta da sessão de ontem, no início da noite, em regime de urgência, quando boa parte dos jornalistas que cobrem a Câmara já havia ido embora.
Em setembro do ano passado, a imprensa denunciou a contratação, através da Comurb, de 212 funcionários sem concurso público entre os meses de janeiro e maio. Muitos desses servidores foram indicados por vereadores. Alguns, apesar de serem contratados pela Comurb, prestavam serviços nos gabinetes da Câmara. O promotor de Defesa do Patrimônio Público, Bruno Galatti, também abriu inquérito para apurar o caso. O vereador Orlando Proença, (Bonilha) foi acusado de depositar um cheque que seria usado para pagamento de funcionário em sua conta particular.
Os vereadores Tercílio Turini (PSDB), Elza Correia (sem partido), Antonio Ursi (PT) e Salvador Francisco (PSB) votaram contra o arquivamento. Célio Guergoletto (PMDB) e Jorge Scaff (PDT), citados no relatório, se abstiveram de votar por entenderem que eram parte envolvida. Carlos Kita (PTB), também citado, e Bonilha, votaram pelo arquivamento. Os vereadores Carlos Santa Rosa (PFL), Renato Araújo (PPB), Moysés Leônidas (PDT) e Osvaldo Bergamim (PMDB) estavam ausentes do plenário.
Segundo o relatório, a CEI era desnecessária já que o Ministério Público estava investigando o caso. Diz o parecer: indicar servidores para trabalhar em empresa pública e requisitá-los para prestar serviços nos gabinetes dos vereadores não é crime. Com relação a Bonilha, o relatório indica que a CEI não pode tomar qualquer medida contra o vereador porque ‘‘seria temerário e irresponsável, pois se opinasse pela cassação de mandato e, depois a Justiça considerá-lo inocente, a Câmara poderia ser responsabilizada civil e criminalmente’’.
O presidente da CEI, Flávio Vedoato, disse que foi a melhor solução. Segundo ele, a denúncia contra Bonilha, é motivo de investigação, mas, devido a uma série de circunstâncias, não foi possível concluir os trabalhos da forma ideal nem mesmo apurar a responsabilidade de Bonilha. ‘‘Não tinha prova concreta’’, disse.
‘‘Sou comerciante pego cheque de várias pessoas, se apareceu cheque de assessor na minha conta não sei’’, comentou Bonilha. Ele disse que não se sentiu constrangido em votar um relatório em que era citado.
A vereadora Elza Correia (sem partido) disse que a Comissão ficou um ano trabalhando e não chegou a lugar algum. O relator da CEI, Antenor Ribeiro (PPB), comentou que, se Bonilha for denunciado pela promotoria, o caso será levado para a Mesa Diretiva e será ela quem decidirá o que fazer.

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