Arquivado caso do crime na mata
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terça-feira, 11 de agosto de 1998
Arquivo FolhaO pai Luiz Lourenço: indignaçãoLucilia Okamura 
Estou bastante abatido. A afirmação foi feita ontem pelo segurança Luiz Carlos Lourenço, ao saber do arquivamento do processo que apura a morte do filho Luiz César Lourenço, ocorrido em janeiro de 1996, em Londrina. A Justiça decidiu, no final de junho, pelo arquivamento por falta de provas que atribuíssem aos suspeitos a autoria do crime.
O caso teve grande repercussão na época e ficou conhecido como morte na mata. Luiz César, então com 11 anos, desapareceu no dia 27 de janeiro, quando saiu da casa dos avós, no conjunto Milton Gavetti (zona norte). Dois dias depois, o corpo do garoto foi encontrado em uma mata localizada no Jardim Paraíso, também na zona norte.
Um dos primeiros suspeitos do crime apontado pela Polícia Civil foi o tio da vítima, o vigilante Jair Moreira. João Ferreira da Silva, Valdivino Monteiro e Rosemar Costa dos Santos também foram interrogados, suspeitos de terem matado o garoto. Mas nada ficou provado e todos negaram o crime.
O promotor da 1ª Vara Criminal, Janderson Camões de Carvalho Iassaka, explica que no dia 26 de junho, pediu o arquivamento do caso justamente por falta de provas contra os suspeitos. O pedido foi acatado pelo juiz Jurandir Reis Júnior poucos dias depois.
Segundo o promotor, fios de cabelo e amostras de sangue dos três últimos suspeitos (o vigilante se negou a fazer a prova) foram coletados para serem comparados com material encontrado no corpo da vítima. Mas o exame não pôde ser realizado porque o material já estava em adiantado estado de putrefação. E também não havia testemunhas oculares do fato, relata.
Iassaka explica que o caso só poderá ser reaberto se aparecerem novas provas. Se não surgirem novas provas, dificilmente chegaremos ao autor do delito, afirma. O crime prescreve em 20 anos.
O pai do garoto lamenta o arquivamento e acredita que a Polícia e a Justiça deveriam ir até o fim para desvendar o crime. Eles tinham que continuar investigando, ressalta. Mas confio em Deus e se essa for a vontade dele, o culpado irá pagar, acrescenta.
Luiz Carlos diz não suspeitar de ninguém, apenas afirma ter ficado indignado com o fato do cunhado ter sido envolvido no caso e não ter lutado mais para provar a inocência. Não sinto raiva dele. Ele era o tio e padrinho do meu filho e por isso deveria ser o maior interessado em provar a inocência, observa. Desde a época do crime, eles não se falam, segundo Luiz Carlos.
Até a morte do filho, Luiz Carlos e a mulher, Maria Antônia, moravam em uma casa no conjunto Violin (zona norte). Depois, a minha mulher não quis voltar para a casa. Disse que não ia aguentar ficar lá, explica. Eles venderam a casa e mudaram para uma outra no conjunto Milton Gavetti. O casal tem duas filhas, de 8 e 3 anos de idade.


