ARQUITETURA E HISTÓRIA - Um setor de sobrados e estilos mais imponentes
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 22 de junho de 2011
Widson Schwartz <br> Especial para a FOLHA 
Afirmar-se que ''o número de prédios em Londrina aumenta de ano para ano, numa proporção considerável'' é repetir informação sempre atualizada durante mais de sete décadas, desde que Adriano Marino Gomes a fez constar numa edição de 1939 sobre o município. E o ecletismo, muito notável já no primeiro decênio da cidade, também permanece.
Originalmente residências, a ''mansão'' que parece ter saído do cenário de um filme americano, na Rua Santos, e a casa assobradada na Belo Horizonte com uma escada de vinhático que pertenceu ao Barão de Limeira estão adaptadas a outras finalidades. Já na Belo Horizonte esquina com a Piauí, a edificação em estilo neoclássico foi projetada para um estabelecimento comercial sofisticado.
Mas no setor em que se localizam ainda há prédios exclusivamente residenciais. Na Rua Pará, o sobrado da família Lopes Sampaio existe há mais de 55 anos e não se cogita destiná-lo a outra finalidade. Palavra de quem mora, apesar do tráfego cada vez mais intenso, expansão do comércio e serviços e da pressão imobiliária em busca de espaços para novos espigões.
''Nunca pensamos em nos mudar, não sei sequer o valor da casa'', diz Rosa Maria Lopes Sampaio, que considera também a localização, a seu ver, ''cada vez melhor''. Um dos fatores que faz as pessoas irem para apartamentos é a insegurança, problema que não existe por ali, observa Rosa Maria. Quando a família comprou o sobrado, em 1955, a cidade tinha menos de 60 mil moradores.
O advogado Octávio Cesário Pereira Júnior (deputado federal, secretário de Estado, senador e vice-governador do Paraná entre 1962 e 1979) mandou construir, no início da década de 70, o sobrado na Rua Belo Horizonte, para a família, que permaneceu por um período, até quando os filhos começaram a casar. Atualmente é ocupado pelo Cartório Octávio Cesário.
A readequação mais recente é de 2004. ''Fiz uma geral, mas mantive todas as características'', conta Octávio Cesário Pereira Neto, filho de Pereira Júnior.
''E coloquei um pouco de marfim, para dar um ar de modernidade'', enfatiza Cesário Neto, relacionando componentes de madeira no interior, entre os quais ''uma escada que era do Barão de Limeira'', feita de vinhático, espécie nobre de Mato Grosso. Capricho de Cesário Júnior (1926-2003), que ia buscar fora os acessórios e trouxe do Rio de Janeiro grades e outras ferragens. Outras peças internas e móveis, produzidos por marceneiros alemães de Rolândia, são de óleo pardo, outra nobreza da flora brasileira, que havia ''em abundância na propriedade na propriedade da família em Assis Chateaubriand''.
Neoclássico
Contrariando suposições baseadas no fato de muitas residências suntuosas terem sido transformadas em lojas, uma das edificações mais atrativas, na Rua Belo Horizonte, foi concebida para a finalidade comercial. E a sede da Gilka Boutique, projetada pelo arquiteto italiano Alessandro Crostarosa, em estilo neoclássico, sugerido pela proprietária, Gilka Salazar Pessoa Costa. O prédio foi inaugurado há 18 anos; anteriormente a boutique tinha endereço na Praça Sete de Setembro.
O terceiro prédio mencionado na abertura desta reportagem é ocupado pela NET, na Rua Santos. Originalmente, a Mansão José Carlos Molina, conforme a descrição de Antônio Castelnou em seu livro sobre a arquitetura londrinense. ''Caracterizada pelo frontão e quatro colunas toscanas colossais, a obra é revestida de tijolo à vista, fazendo referência ao estilo colonial americano.'' Foi construída pelo engenheiro Romeu Egoroff, entre 1968 e 1970.


