ARQUITETURA E HISTÓRIA - Prédios no Centro são preservados
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quarta-feira, 15 de junho de 2011
Widson Schwartz <br> Especial para a FOLHA 
Inaugurado há 62 anos, ampliado e já readequado internamente, o edifício da agência central da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT) mantém as linhas originais externas e aparentemente contesta a afirmação de que se derruba tudo em Londrina, até a memória. A contradição se reafirma nos prédios vizinhos e contemporâneos ao do Correio, entre os quais o da Secretaria da Cultura constitui fato novo: a restauração por iniciativa do Município.
''Tenho a informar que é, realmente, a primeira experiência da Prefeitura na área de restauração arquitetônica; talvez por isso estejamos passando por problemas'', expõe a diretora de Patrimônio Artístico e Histórico-Cultural, Vanda de Moraes, frustrada com a interrupção da obra, desde que a empreiteira se declarou impossibilitada tecnicamente.
O investimento é de R$ 1 milhão pelo menos, para tirar acréscimos e também restituir espaços de acordo com o projeto de Artigas e Cascaldi.
Construídos entre 1947 e os primeiros anos 50, cinco edifícios de interesse histórico ocupam uma área quase triangular com limites na Alameda Manoel Ribas, Avenida Rio de Janeiro e Rua Maestro Egídio Camargo Amaral. Na esquina dessas duas últimas vias, o então Departamento dos Correios e Telégrafos (DCT) inaugurou a sua imponente agência em julho de 1949. A placa permanece no prédio.
O dia da inauguração não consta na placa, nem é mencionado na reportagem da revista ''A Pioneira'' (novembro-dezembro/1949), informando que se fizeram presentes o diretor regional do DCT, Antônio Corrêa de Miranda Évora, e o delegado regional de Polícia, Edmundo Mercer Júnior, representando o governador do Estado.
Pelo registro do Inventário e Proteção do Acervo Cultural de Londrina (Ipac/Lda.), o prédio, de três pavimentos e 1.100 metros quadrados ao ser inaugurado, foi ''um dos mais representativos na área central também pela beleza de suas formas arquitetônicas, escadas e balcões de mármore''. O segundo pavimento, onde estavam os telégrafos, era também ''a residência do chefe da agência''.
Havia no DCT a ''seção de edifícios'' e o responsável pela obra em Londrina foi o engenheiro Félix Monteiro Guimarães, lê-se na placa.
Trata-se de um projeto do engenheiro Júlio Botto, ''segundo uma tipologia normatizada'' no âmbito dos Correios, mas com características de art déco, segundo o historiador Antônio Castelnou. ''O prédio constitui-se de um grande prisma, cujo destaque está na marcação das entradas, além do tratamento decorativo geometrizado, baseado no emprego de marquises, frisos e molduras, o qual suaviza seu aspecto pesado'', descreve-o Castelnou em ''Arquitetura Londrinense: expressões e intenção pioneira''.


