ARQUITETURA E HISTÓRIA - Imponentes prédios escolares
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quarta-feira, 08 de junho de 2011
Widson Schwartz <br> Especial para a FOLHA 
''Irmã Norberta, depois de feliz vitória sobre intensas dificuldades, também pretende ousar uma construção'', escreveu o padre José Kentenich em carta que remeteu da Alemanha, no natal de 1937, às Irmãs de Maria de Schöenstatt do Apostolado Católico em Londrina. ''Melhor do que eu, sabeis o que significa possuir uma casa em terra longínqua'', conclui o idealizador da Obra Internacional de Schöenstatt, que as designara para a missão na cidade recém-fundada no sertão.
Quando chega a Londrina pela primeira vez, em 12 de abril de 1947, padre Kentenich contempla a ''ousadia'': o prédio do Colégio Mãe de Deus, que fora inaugurado em 17 de julho de 1938. A partir de 1950, o edifício é ampliado sucessivas vezes até os anos 2000, dos primitivos 927,80 metros quadrados para 21,8 mil metros quadrados, passa a representar também ''novos momentos'' da arquitetura e assim mantém a sua proeminência, servindo cerca de 900 alunos.
Foi o primeiro prédio escolar de Londrina com pavimento superior (''sobrado''). Só em 1943 houve iniciativa semelhante do Governo do Estado: a construção para o Grupo Escolar Ministro Osvaldo Aranha. Hoje ocupado pelo Colégio Marcelino Champagnat, permanece imponente na originalidade quase inteiramente preservada, com a torre ostentando o relógio.
São prédios de alvenaria somente antecedidos pelo Grupo Escolar Hugo Simas, em 1937, início da substituição das escolas de madeira. O próprio Colégio Mãe de Deus começou em duas salas de madeira da Companhia de Terras Norte do Paraná que as irmãs alugaram, na Rua Minas Gerais, onde está o Palácio do Comércio. Início das aulas: 3 de março de 1936, para 66 alunos, meninas e meninos, que aumentaram para 110 em maio.
''O papai era agente da Companhia de Terras e havia contado em casa que as freiras tinham chegado para abrir o colégio ali no almoxarifado da Companhia. Eu tinha loucura para estudar e, quando chegou o dia, me matriculei sozinha'', rememora Maria Alice Brugin de Arruda Leite, a primeira aluna do estabelecimento, filha de Eugênio Brugin.
Aos 75 anos de fundação do Colégio, Maria Alice está com 84. As primeiras professoras, irmãs Almut Weingartner e Mariaregis Kessler, tiveram aulas de português no Colégio das Irmãs Vicentinas em Jacarezinho, mas lecionavam em Londrina auxiliadas por uma intérprete, Malvina de Oliveira, recorda Maria Alice.


