ARQUITETURA E HISTÓRIA - Duas faces do ciclo da verticalização
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 01 de junho de 2011
Widson Schwartz <br> Especial para a FOLHA 
A expressão ''skyscraper'' vem da segunda metade do século 19, designando prédios ''extraordinariamente altos'', desde que os primeiros foram erguidos em Chicago (Estados Unidos), e sua tradução brasileira é ''arranha-céu'' (precedendo espigão e torre), produto da construção industrializada, que incorporou o elevador, inventado por Otis. Arranha-céu, título da canção que Orestes Barbosa e Sílvio Caldas compuseram em 1937, inspirados em algo que se disseminava nas maiores cidades brasileiras, sob olhar de alguém que cansou de ''esperar por ela, toda noite na janela vendo a cidade a luzir''; frustrado porque ''toda vez que subia, o elevador não trazia'' a amada.
Por volta de 1950, em sua inigualável velocidade urbana, Londrina viu surgir o primeiro arranha-céu: o Edifício Santo Antônio, residencial, na Avenida Paraná. Com dez andares, afigurava-se ''extraordinariamente alto'' comparado a tudo que se verticalizara na cidade.
Sessenta anos depois, ali não se encontra nenhum condômino pioneiro; sucessores, porém, revelam-se interessados pela história e a preservação, até sugerindo que o prédio seja relacionado oficialmente entre os símbolos londrinenses, apesar da impossibilidade de tombamento. A FOLHA inicia hoje a publicação de reportagens, observando aspectos arquitetônicos que se mantêm atrativos e evocam ciclos da construção civil.
No primeiro ciclo da verticalização londrinense despontou, simultaneamente ao Santo Antônio, o Edifício Autolon na finalidade comercial. Pronto em 1951, o Autolon é a primeira expressão da arquitetura moderna de Vilanova Artigas e Carlos Cascaldi na cidade e faz lembrar o ''multifamiliar'' Edifício Louveira, projetado por eles em São Paulo, construído entre 1946 e 1949 e tombado em 1992 ''como bem cultural''.
Além da ocupação do espaço entre o condomínio e o cinema, o Autolon ''permanece sob risco constante de alterações que ameaçam seu aspecto original'', observou Juliana Suzuki, autora do livro ''A Arquitetura de Artigas e Cascaldi em Londrina''. Embora faça parte do conjunto incluindo o Cine Ouro Verde, ''por motivos mal explicados'' o Autolon foi desconsiderado pelo Patrimônio Histórico Estadual, que tombou somente o cinema.
Com sete andares, 13 salas por andar, o edifício tem duas fachadas (leste e oeste) com áreas transparentes. Sobressaem no pavimento térreo grandes pilares em V revestidos de pastilhas, visíveis do nível do passeio através dos vãos envidraçados, daí ''uma certa imponência, talvez para realçar o glamour desejado pelos proprietários para a agência de automóveis'', presume Juliana Suzuki na descrição. ''Apesar de ser uma das primeiras edificações verticais de Londrina, predomina a horizontalidade, sobretudo em função das faixas divisórias das fachadas (...)''.


