Observadores mais frequentes da Área Central a Leste de Londrina perceberam uma recente ''baixa'' entre as construções de madeira: na Rua Maranhão esquina com a Uruguai, ''a casinha'' foi demolida e surgiu no lugar uma loja de carros usados. Enquanto a Oeste do Centro, além da Avenida Higienópolis, a verticalização predomina, abaixo da Avenida Duque de Caxias permanecem os prédios de alvenaria com dois a três pavimentos em sua maioria, permitindo que as construções de madeira sejam mais visíveis.
Neste setor, a casa no início da Rua Sergipe em frente à 10 Subdivisão Policial talvez seja a mais antiga. ''É de 1937 ou 38'', construída para a família de Jacomo Rufini. Quem informa é dona Gessy Rufini, moradora desde 1957, casada com Guido, filho de Jacomo.
A duas quadras dali, na Uruguai esquina com a Santa Catarina, o prédio da Máquina de Arroz Londrina, outra referência da década de 30, pode ser visto em contraste com a modernização no Centro. E há quem afirme que a imagem mais ''próxima do passado'' é o galpão em que funcionou a Serraria Curotto, numa quadra das Avenidas Celso Garcia Cid e Paul Harris. Por ali começou a cidade, ao abrir-se a clareira de dez alqueires em agosto de 1929.
Mencionam-se concentrações de casas de madeira em vilas, sendo a mais exemplar a Casoni, ''o primeiro loteamento fora do perímetro urbano original'', autorizado em agosto de 1937. As construções mais antigas que restam, porém, situam-se no Centro, permitem deduzir dados oficiais divulgados nos álbuns sobre as primeiras décadas. De apenas nove moradias em 1931 os prédios em geral aumentaram para aproximadamente 1.700 em 1938 e 5.570 em 1949, a maioria de madeira, já com restrições no quadrilátero central, impostas pelo poder público, que estimulava as construções de alvenaria.
E de 1940 a 1959 a Prefeitura aprovou a construção de 7.781 casas de madeira, 3.365 de alvenaria e 362 mistas, constatou Antônio Carlos Zani (''Repertório Arquitetônico das Casas de Madeira de Londrina'', 2005).
Segundo Humberto Yamaki, em ''Labirinto da Memória - Paisagens de Londrina'', eram fatores influentes ''a tradição e a cultura de origem dos imigrantes'', a presença de muitos mestres carpinteiros e ''levas de aprendizes'', aliados à grande disponibilidade de madeira, por vezes retirada do próprio lote. Finalmente, o custo de uma casa de madeira representava ''um quarto em relação à alvenaria de tijolos e a rapidez da construção''.

mockup