Arquitetura das igrejas está mudando
Tradição e cuidados com a simbologia sacra está saindo de moda entre os arquitetos que projetam novas igrejas
Fotos: Mauro FrassonESTILOSAo lado, o frei Diogo, que comanda as obras da Igreja São João Baptista. Abaixo, a modernidade da igreja evangélica que não precisa de altar ou lugar para santosA Igreja de Santo Agostinho, no Ahú, segue padrões diferentes da tradição cristã que durou séculos
Rubens Burigo Neto
De Curitiba
As atuais igrejas de Curitiba, construídas a partir da metade da década de 70, não apresentam cuidados com a simbologia sacra. A opinião é do arquiteto e professor de Arquitetura Brasileira da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR), Cláudio Maiolino. Ele disse que apenas no interior do Brasil algumas igrejas ainda preservam as características tradicionais das contruções católicas.
Para o arquiteto, a igreja de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro (em frente ao Estádio Couto Pereira, no Alto da Glória) e a Igreja do Cristo Rei (na Rua Pe. Germano Meyer) são os únicos bons exemplos na cidade. São projetos diferentes e inovadores na utilização dos espaços internos. Mesmo seguindo a tendência de simplificação dos templos, muito comum nos últimos dez anos, avaliou
Maiolino explicou que a primeira ruptura arquitetônica aconteceu no começo dos anos 20. Até ali, explicou o arquiteto, todas as igrejas seguiam o mesmo padrão estético: a nave (para o público), o arco cruzeiro (dividia os espaços) e a capela mor (com o altar principal). A Capela di Jesu, em Roma e a Capela de São Roque, em Lisboa, foram as primeiras igrejas neste estilo, contou Maiolino. Elas foram construídas no início do século XVI, quando a Igreja implantou a Contra-Reforma.
Com a Semana de Arte Moderna, em 1922, e a utilização de técnicas mais avançadas na contrução civil, os projetos passaram a variar nas formas arquitetônicas. Outra mudança só aconteceu em meados da década de 60, quando uma encíclica papal modificou a maneira como os padres rezavam as missas. Foi uma tragédia porque em alguns prédios simplesmente destruíram tudo o que se relacionava às missas tradicionais, em que os padres rezavam de costas para os fiéis, lamentou. Segundo Maiolino, a Catedral Basílica de Curitiba foi uma das vítimas do pouco cuidado com a preservação da memória.
Esta é uma das preocupações do frei Diogo Luís Fuitem, que está coordenando a construção da nova igreja da Paróquia São João Batista, na Vila Sandra. Com capacidade para 600 pessoas, o único luxo estético do prédio será o teto em forma de chalé. Para não destoar das grandes árvores que ficam em frente à Igreja, justificou a arquiteta responsável pelo projeto, Lu Marins. é moderninho mas nem tanto, salientou frei Diogo.





