Arquitetura da UEL repudia doação de aterro do Igapó
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 15 de setembro de 1998
Cláudio Osti 
O departamento de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Estadual de Londrina UEL, através do Centro de Tecnologia e Urbanismo (CTU), está distribuindo um manifesto repudiando a intenção da prefeitura de doar o aterro do Lago Igapó para a iniciativa privada. O manifesto, que é assinado por 31 professores do CTU, faz um apelo para que as autoridades façam uma reflexão e convoca toda a população para reiterar a indignação geral através de uma corrente de cartas de protesto. O documento está sendo entregue para lideranças políticas, entidades de classe e clubes de serviço.
O arquiteto e urbanista Nestor Razente, escreve um artigo que acompanha o manifesto, onde critica a iniciativa. Creio que nenhum cidadão seja contrário a investimentos em nossa cidade. Porém, há que perguntar: por que ele deve ser realizado em área pública, reconhecida entre os mais belos cenários urbanos que possuímos?, escreve Razante.
O professor Antonio Carlos Zani, diretor do CTU, diz que Londrina vem perdendo muitos espaços públicos e logo não vai ter como transitar. Segundo ele a cidade vem sofrendo muito com o desrespeito às áreas públicas e cita vários exemplos.
Veja só, quando foi discutido o aterro - na administração do ex-prefeito Wilson Moreira - nosso departamento se posicionou contra. Numa das reuniões o professor Vicente Del Rio, que hoje não mora mais na cidade, chegou a ser expulso da sala por ser contra o aterro. A praça em frente ao aeroporto é outro exemplo. Ela era um espaço público, do povo, frequentado por inúmeras pessoas e foi transformada em estacionamento. Outro erro: na Avenida Leste-Oeste, que deveria ser no futuro uma via para o transporte de massa, foram instalados postos de combustível. A cidade carece de espaços públicos, áreas de lazer. Transformar o aterro em empreendimento privado é mais um grave erro urbanístico em Londrina. O local seria ideal para um projeto de área de lazer como é o Zerão. Se deixarmos, logo vão tomar conta dos fundos de vale, diz Zani.
A Prefeitura de Londrina ainda não publicou o edital de licitação para as empresas que desejam ocupar o aterro. O secretário de Obras, José Righi de Oliveira disse que sua equipe está concluindo a medição da área e o memorial descritivo - descrição exata da localização da área. Concluído esse trabalho, que deve acontecer hoje, ele será entregue à Secretaria de Assuntos Jurídicos para que seja publicado o edital de licitação.


