Arquitetos são contra fechamento de rua
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quarta-feira, 16 de maio de 2001
Silvana Leão De Londrina 
O problema enfrentado atualmente pela Prefeitura de Londrina com a falta de local para abrigar os camelôs que estão instalados nos arredores do Terminal Urbano é apenas um aspecto do processo de deterioração a que vem sendo submetido o centro da cidade nos últimos anos. O alerta é de professores do curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Estadual de Londrina (UEL).
O professor Jorge Marão Carnielo Miguel lembra que grande parte do comércio da cidade está se direcionando para a região sul, onde está localizado o Catuaí Shopping Center e onde há vários condomínios residenciais em construção. Quem conheceu a Rua Sergipe 10 anos atrás e passa por lá hoje percebe que o centro está ficando isolado e perdendo a vitalidade. E quando um local perde a qualidade, vira terra de ninguém, qualquer um pode entrar, afirma Marão. Para o arquiteto, a discussão do problema hoje enfrentado com os camelôs tem que ser ampliada para toda a área central de Londrina.
A professora Angela Canabrava Buchmann sugere que sejam desenvolvidos projetos que revitalizem o centro. Uma das alternativas, diz ela, seria a ocupação das áreas de miolo de quadra (ponto central dos quarteirões) muito utilizados para estacionamentos por iniciativas que valorizem o comércio, como shoppings populares e restaurantes, que teriam o acesso feito por galerias. Seria uma forma de dar novos usos a espaços deteriorados, opina Angela.
Os professores concordam que é preciso destinar um espaço para os camelôs, mas sem degradar o espaço comum e nem fazer com que se instalem em áreas afastadas. Eles não concordam, portanto, com a opção de fechar um trecho da Avenida São Paulo para abrigar os vendedores ambulantes. Angela Canabrava lembra que o espaço utilizado para este tipo de atividade não deve ser aquele que já tem a sua função, como rua, praça e calçada, e sim aquele que está ocioso ou deteriorado.
Ou se pensa seriamente no centro (e aí deve ser incluída a Avenida Higienópolis, que hoje nada mais é que uma via de passagem), ou no futuro a região vai se perder, como ocorreu, por exemplo, em São Paulo, defende Jorge Marão. É preciso pensar antes para depois não ter que correr atrás tentando encontrar soluções. A gente tem que parar de apagar fogo, completa Angela.
Para o professor Otávio Shimba, a base de toda a questão envolvendo os camelôs está na localização do Terminal Urbano. Não há necessidade de um só local concentrar os passageiros que vão para as diversas regiões da cidade. O terminal poderia ser dividido por setores, sugere. Para Shimba, hoje os camelôs parecem um problema, quando na verdade são solução. Solução encontrada por eles para o desemprego. Vivem na marginalidade porque a sociedade não reconhece a solução como uma alternativa de sobrevivência.
Os professores lembram que vários Trabalhos de Graduação (TGs) desenvolvidos por alunos da UEL abordam temas relacionados à vida urbana, e muitas idéias, segundo eles, poderiam ser aproveitadas através de parcerias com a prefeitura.


