Arquitetos protestam contra as reformas no Centro Cívico
Maigue Gueths
De Curitiba
Os estudantes e professores de Arquitetura da Universidade Federal do Paraná (UFPR) realizaram uma manifestação ontem de manhã, dando um abraço em volta da Praça Nossa Senhora de Salete, em Curitiba. Eles protestavam contra as obras de revitalização do Centro Cívico que vão alterar o projeto original. Apesar da polêmica, a prefeitura iniciou no mesmo dia a instalação da casa que abrigará os operários da empresa Empo, responsável pela reformulação.
Com uma faixa escrita Um abraço pela preservação do patrimônio paranaense, os estudantes mostravam seus dois principais objetivos com a manifestação: sensibilizar o poder público para suspender as obras e rever o projeto, discutindo a área do Centro Cívico como um patrimônio histórico da arquitetura paranense, cujas características iniciais não podem ser mudadas.
A idéia da manifestação partiu do Grêmio de Arquitetura da Universidade Federal do Paraná (UFPR), durante um seminário, realizado esta semana. A proposta contou com o apoio dos professores, e acabou reunindo cerca de 200 pessoas no abraço simbólico, entre alunos, professores, arquitetos e engenheiros.
Segundo a professora de Arquitetura Josilena Zanello, o Centro Cívico de Curitiba foi pioneiro no País ao adotar, em 1951, um projeto chamado corações da cidade , que vinha sendo discutido, mundialmente, em congressos internacionais de arquitetura. Depois, Brasília seguiria a mesma concepção. Dá para imaginar a Praça dos Três Poderes, em Brasília, com quadras esportivas, play ground, estacionamento, vestiários? É a mesma coisa que estão fazendo aqui, compara.
Ela aponta que, em 1997, os engenheiros e arquitetos foram excluídos da comissão que gerencava o Centro Cívico desde 1977. Depois disso é que foram autorizadas reformas no local.
Um dos autores do projeto ainda está vivo. Por uma questão ética, deveria ser consultado, reclama o presidente da seção Paraná do Instituto de Arquitetura do Brasil, Roberto Sampaio. Continua em julgamento a ação civil pública contra as mudanças, de autoria do Sindicato dos Engenheiros do Paraná (Senge), Sindicato dos Professores da UFPR e Associação Nacional em Defesa do Patrimônio Histórico.





