Com dezenas de fundos de vale e praças, Londrina é uma cidade bem servida de áreas verdes. Ao mesmo tempo, entretanto, as opções de lazer neste nicho são escassas estão restritas ao Zerão, aos passeios dos lagos Igapó 1 e 2 e a alguns outros poucos espaços bem cuidados. De resto, sobram fundos de vale sem a preservação adequada (muitos deles tomados por invasões) e praças sujas, para não citar a situação do Parque Arthur Thomas, cuja necessidade de recuperação não é recente (veja box).
Entre arquitetos, urbanistas e paisagistas, é unanimidade a opinião de que a cidade precisa de áreas verdes de lazer além dos pontos tradicionais na Área Central. ''A prefeitura deve estabelecer um calendário de prioridades de gestão pública. O lazer não é uma questão supérflua, visto que trabalha muitas questões sociais'', afirma Eloísa Ramos Ribeiro, professora do curso de Arquitetura da Universidade Estadual de Londrina (UEL).
A Folha entrevistou quatro profissionais da área, e todos opinaram que trabalhos relacionados a lazer em espaços naturais devem centrar foco nos fundos de vale e nas praças. O arquiteto Antonio Carlos Zani aponta que há uma forte carência de áreas de entretenimento nas zonas Norte e Leste.
''O poder público deveria urbanizar, a médio e longo prazos, os fundos de vale entre a Área Central e os bairros, como o do Conjunto José Belinati. A Zona Norte tem como opções de entretenimento os pesque-pagues e os clubes, que são poucos. Os espaços mais centrais, como o Zerão e o Lago Igapó, acabaram elitizados, são as classes com mais recursos que frequentam'', argumenta.
O arquiteto acredita que a prefeitura poderia investir no nicho do lazer aquático. ''Londrina praticamente não tem opções públicas na área. Temos o Lago Igapó, mas a água não é adequada para banho. A cidade poderia ter piscinões e clubes populares. O projeto do Lago Norte (que será construído no Conjunto Milton Gavetti) poderia ser direcionado para essa faceta''.
Eloísa Ribeiro, por sua vez, aponta que o aterro do Lago Igapó 2, entre as avenidas Humaitá e Maringá, e no limiar entre a Área Central e as zonas Sul e Oeste, poderia ser melhor aproveitado além da estrutura de quadras de areia para torneios de vôlei de praia que foi montada no local. ''Penso que é um espaço perfeito para um parque ecológico'', diz a professora.
O paisagista Carlos Cavalcante Kuhnlein tem opinião semelhante. ''E depois de revitalizar os lagos Igapó 1 e 2, está na hora da prefeitura fazer algo semelhante nos lagos 3 e 4'', complementa. A arquiteta Ângela Canabrava Buchmann, professora da UEL, acrescenta que toda e qualquer alteração em áreas verdes deve levar em conta a opinião da comunidade local. ''É fundamental estudar a história do lugar, a identidade da população. Esta pode ajudar no planejamento e na manutenção das áreas, através de associações de bairros e organizações não-governamentais'', afirma ela.

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