Mauricio Della Barba
De Londrina
‘‘Está faltando mais personalidade para Londrina’’. É o que pensam alguns planejadores urbanos do Japão, que estiveram na cidade na última semana participando da 7ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira de Pesquisadores Nikkeis (SBPN), uma entidade sem fins lucrativos que tem como finalidade contribuir para o desenvolvimento da Cultura, Ciência e Tecnologia.
Três são os pontos principais apontados pelos cientistas para que Londrina se torne uma cidade mais atrativa, tanto para a população quanto para os turistas: topografia, conjunto e cor.
‘‘A manutenção da topografia é importante para preservar as características naturais da cidade’’, disse Kunihiro Narumi, professor titular de Planejamento Ambiental da Universidade Nacional de Osaka e um dos consultores responsáveis pela reconstrução pós-terremoto da cidade de Kobe.
Narumi é o único no grupo de japoneses que já esteve em Londrina, 20 anos atrás. ‘‘A cidade ainda era pequena, mas do que pude ver hoje, a arquitetura geral poderia ter sido melhorada’’, comentou. Para o professor, uma das imagens mais marcantes na época de sua passagem foi a antiga estação ferroviária, atual Museu Histórico Padre Carlos Weiss. ‘‘Parece que a mudaram muito. Está despersonalizada’’, afirmou.
Um dos pontos criticados por Narumi é a falta de continuidade espacial da cidade. ‘‘Antigamente, a visão de quem chegava pela estação era de um terreno bonito, que subia até a Catedral. Agora, os espaços foram retalhados e perderam a sequência.’’. Para Narumi, o Museu, a praça Rocha Pombo, a antiga Rodoviária, o Calçadão e a Catedral estão isoladas, mesmo estando em um mesmo plano topográfico.
Já Kouji Horiguchi, arquiteto e consultor de planejamento de Osaka, alertou para a falta de conjunto nas construções da cidade. ‘‘Os prédios que são construídos são bonitos, mas são comuns e planejados isoladamente. Os construtores deveriam se preocupar em analisar todo o conjunto, valorizando as características do lugar.’’.
Segundo Horiguchi, para tornar uma cidade atrativa deve-se procurar deixá-la segura, bonita e aconchegante. ‘‘Estas três questões em Londrina ainda parecem não estar claras.’’ O consultor disse entender que é preciso ouvir mais a opinião de quem usa e vive a cidade. ‘‘É a população que escolhe como quer sua cidade.’’
Já o professor e desenhista urbano de Hyogo, Yukihiro Kadono, recomendou que seja ressaltada a cor vermelha da terra de Londrina. ‘‘Pude observar que é forte a presença do vermelho ferroso nas casas, em telhas, tijolos aparentes e nos pisos. Pensar neste tipo de material reforçaria uma imagem característica daqui.’’
Kadono também visitou cidades vizinhas, como Jataizinho e Assaí, e ficou impressionado com os contrastes. ‘‘É bonito ver as chaminés das olarias em Jataizinho. Porém, quando se olha para a cidade percebe-se que ela não tem uma personalidade própria.’’
A professora Hissako Koura, de Arquitetura Global da Universidade de Osaka, sentiu-se preocupada com a verticalização da cidade. ‘‘Há uma aglomeração de prédios no centro. Esse crescimento vertical pode prejudicar o crescimento das partes mais novas’’, argumentou.Em visita à Londrina, japoneses ensinam como tornar a cidade mais atrativa
Fotos Dorico da SilvaPlanejadores urbanos que participaram do Encontro de Pesquisadores Nikkeis (ao lado) aconselham os arquitetos londrinenses a pensar no ‘conjunto’. Kunihiro Narumi (acima), no Museu: ‘‘Mudaram muito’’

mockup