Arquiteto tem idéias para favelas
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domingo, 09 de novembro de 1997
Curitiba 
Marcelo AlmeidaPara Hackney, se cada um fizer a sua parte, cuidando de sua casa, as favelas não serão mais favelasAs inovações propostas por Rod Hackney nas ruas esquecidas de Birmingham, Manchester, Leicester e outras cidades da Grã-Bretanha são ao mesmo tempo muito diferentes e muito parecidas com opções para as favelas brasileiras.
Embora as áreas pobres inglesas sejam formadas por casas antigas apenas sem estrutura sanitária, elétrica ou térmica - realidade bem diferente dos barracos de tábuas mal emendadas, com chão de terra batida e telhado de zinco de muitas favelas brasileiras - algumas providências são básicas para qualquer lugar.
No Brasil há uma grande vantagem: o povo está disposto a trabalhar. Se tiver ferramentas e material, cada um ergue sua própria casa, compara. Segundo ele, na Inglaterra os desempregados fazem parte de um grupo de mortos-vivos, sem esperança, sem estímulo. Por isso, não esperam nada além da ajuda do governo. Ao mesmo tempo, são orgulhosos a ponto de não querer que ninguém lhes diga como viver melhor. No Brasil as pessoas sabem que a qualidade de vida depende muito de seu esforço próprio, aceitam novas idéias e vão à luta.
Mas por onde começar? Segundo Hackney, no Brasil falta uma ligação maior entre governo e comunidade. O governo deve delegar às pessoas controle sobre as áreas em que elas vivem. Se cada um tiver poder sobre seu próprio território, ele será melhor cuidado, aconselha.
Bom exemplo são as margens dos rios que cortam áreas pobres. Em geral cheias de mato, lixo e entulho, as margens não seriam tão poluídas se cada morador dominasse uma fatia. Ele cuidaria e impediria que outros sujassem, opina.
O governo também deve fazer sua parte. Hackney acredita que, se as águas dos rios fossem mantidas limpas pelo governo, o povo respeitaria e contribuiria para a conservação. Imagine se todo mundo não iria adorar nadar num rio cristalino, diz.
Na Vila Pinto, favela mais antiga, urbanizada e bem estruturada de Curitiba, Rod Hackney já considera o caminho meio andado. Ali funciona uma Vila de Ofícios, que reúne em um mesmo sobrado espaços para trabalhar e morar.
No entorno, já se pode perceber casas com pintura nova, início de calçada, flores no jardim. Para Rod Hackney, o arquiteto dos pobres, se cada vizinho fizer a sua parte, as favelas não serão mais favelas. (M.C.S.)


