‘‘Onde todos vêem problemas, eu vejo a solução’’. A afirmação é do arquiteto e urbanista de Londrina, Nestor Razente, defendendo a abertura de um parque público no aterro do Igapó 2 (área central) como solução para o local, que atualmente não abriga nenhum tipo de investimento. A área, de 90 mil metros quadrados, é objeto de polêmica desde junho, quando foi aprovado um projeto de lei municipal prevendo a sua doação para a iniciativa privada.
Razente justifica o parque público citando vários exemplos em diversos países de locais que antes eram considerados abandonados e que foram transformados em áreas públicas de lazer. Ele observa que poderia ser elaborado um projeto que atendesse a necessidade da comunidade.
Na opinião do arquiteto, o parque no aterro do lago poderia abrigar ciclovias, playgrounds, áreas para caminhada e pesca, campos de futebol e até um jardim botânico. Ele acredita que se for bem planejado, o parque atrairia um número maior de usuários que o Zerão - uma área de lazer também localizada às margens do lago Igapó.
Razente lembra ainda que o aterro é a única área pública de lazer que a comunidade das redondezas pode usufruir. Apontando os edifícios que começam a surgir nas proximidades, ele ressalta que a tendência é da população crescer muito nos próximos anos e que poderá ser prejudicada se o aterro for entregue à iniciativa privada.
Com mestrado em desenvolvimento urbano e atualmente realizando doutorado em estrutura ambiental urbana, Razente afirma que os fundos de vale são a grande riqueza de Londrina, justamente por serem públicos e, portanto, de uso da comunidade. ‘‘Urbanistas e planejadores de vários países com quem tive contato perguntam como Londrina conseguiu preservar estes fundos de vale’’, ressalta.
Segundo Razente, a experiência de fundos de vale públicos (com possibildiade de abrigar parques) é o grande exemplo de urbanismo de Londrina que está sendo exportado para outros locais. Ele observa que já elaborou mais de 30 planos diretores de cidades e sempre citou o caso dos fundos de vale de Londrina. Além disso, ele informa que, trabalhando como consultor do Banco Mundial, auxiliou na reconstrução de sete cidades de Angola, colocando, entre outros pontos, a experiência de Londrina.Dorico da SilvaEspaço públicoNestor Razente acredita que, bem planejado, parque poderia atrair um número maior de usuários que o ZerãoLucilia Okamura

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