Arquiteto descarta falhas na execução da marquise
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quinta-feira, 16 de março de 2006
Alan Maschio<br>Reportagem Local 
O responsável técnico pela execução do Anfiteatro do Centro de Estudos Sociais Aplicados (Cesa) da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Wladmir Refosco, confirmou ontem que há falhas no projeto estrutural da obra o que pode ter provocado a queda da marquise do prédio.
O acidente, ocorrido há um mês, durante o início de um congresso de zoologia, matou duas pessoas e feriu mais 22. O arquiteto rebateu parte das informações divulgadas anteontem pela reitoria da universidade, que apontou também falhas na execução. Refosco garante que o trabalho foi realizado ''à risca''.
Os resultados da sindicância interna instalada pela reitora Lygia Pupatto foram divulgados depois de um mês de trabalho de uma equipe de engenheiros da própria universidade e do Conselho Regional de Engenharia (Crea). O laudo apontou ''falhas graves'' no projeto estrutural e na execução da obra, descartando a possibilidade de que a falta de manutenção responsabilidade da prefeitura do campus também possa ter colaborado para o acidente. Lygia disse ainda que processaria os responsáveis pelos erros por danos materiais e morais.
''Estão distorcendo as informações'', comentou Refosco, residente em Toledo (Oeste). ''Contratei duas empresas de consultoria para avaliar o projeto justamente porque sabia que a bomba estouraria no lado mais fraco'', afirmou.
Segundo o arquiteto, os estudos encomendados pela Mercosul, empresa da qual é sócio e que executou as obras, apontaram falhas no projeto e na manutenção do prédio. O arquiteto insistiu no fato de que a marquise não poderia ter acumulado água, como foi descrito pelas vítimas do acidente. ''Eu executei exatamente como o projeto mandava. Se houve falhas na construção, então a UEL é co-responsável, porque havia um fiscal nomeado por eles para acompanhar a execução e ele deveria ter avisado se visse algo de errado. Eu também não poderia discutir eventuais falhas no projeto. Seria falta de ética'', disse.
O engenheiro civil Vitor Faustino Pereira, membro da comissão de sindicância da UEL, disse que o documento se ateve apenas às questões técnicas. ''Foi um laudo elaborado com base no que tínhamos à disposição. Se houve ou não falha de manutenção, esta já é outra discussão. Mas podemos garantir que o acúmulo de água não provocou a queda da marquise'', afirmou. ''Com o estudo, também podemos garantir que houve diferenças entre o projeto e a execução.''
Pereira também evitou discutir a possibilidade de a UEL ser co-responsabilizada pela execução da obra. ''Isso é o Crea que tem que dizer'', respondeu. O presidente da Câmara de Engenharia Civil do conselho, José Ladaga, foi procurado para esclarecer a questão, mas não atendeu as ligações. Os conselhos de Londrina e de Curitiba também não confirmaram quem responde pelo projeto estrutural do anfiteatro.
Sobre a possibilidade de ser processado, Refosco garantiu que haverá resposta. ''Este relatório não vai servir para nada. O que vale é o laudo do Instituto de Criminalística (IC). Eu também sofri danos morais e vou processar a UEL por isso'', reclamou. O delegado Nelson Águila, que preside o inquérito sobre o acidente, adiantou que vai solicitar uma cópia do estudo da UEL para anexá-lo às investigações. ''Tem peso de informação'', explicou. Já a conclusão do laudo do IC pode sofrer atrasos. ''É mais provável terminarmos no final do mês'', disse o chefe do ICL, Daniel Felipetto.


