Arquiteta defende ‘cidade sem barreiras’
Londrina
Londrina não atende bem seus deficientes físicos. A opinião é da arquiteta Kátia Cristina Lopes de Paula (foto) que, numa escala de 1 a 5, dá nota 3 para o tratamento que Londrina dá aos deficientes. Kátia realizou um trabalho, durante a faculdade, chamado ‘‘Arquitetura sem barreiras - orientação urbanas para cegos e deficientes visuais’’, que traça algumas diretrizes para que o município pense mais nos deficientes quando trabalha, principalmente, o espaço público. O projeto não despertou o interesse do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Londrina (Ippul).
Kátia de Paula ministrou palestra ontem, no Catuaí, sobre ‘‘Arquitetura sem barreiras - uma visão empresarial’’, tentando convencer empresários que pode ser um bom negócio melhorar o acesso dos deficientes e suas famílias. Na avaliação dela, Londrina tem poucos lugares, tanto de lazer quanto de trabalho, que oferecem acesso aos deficientes físicos. Ela cita o Shopping Catuaí, onde os deficientes podem entrar no prédio com relativa facilidade.
‘‘A arquitetura sem barreiras é um estudo minucioso, feito de detalhes. É preciso transformar o espaço em algo de acesso fácil para todo mundo’’, ensina Kátia de Paula. Na opinião dela, a grande maioria dos arquitetos, quando elaboram um projeto, pensam no homem como um ser ideal. ‘‘Mas 80% das pessoas não são ideais. São muito altos, baixos, deficientes físicos. Temos grávidas, doentes, idosos.’’
Segundo a arquiteta, a situação poderia começar a se inverter se a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) fosse respeitada. A ABNT propõe a construção, nos lugares públicos, de rampas largas e banheiros especiais para deficientes, além de outras benfeitorias.
‘‘A Espanha é o berço da acessibilidade’’, comenta. Lá as regras da arquitetura sem barreiras são cumpridas com rigor. ‘‘O prefeito de uma cidade espanhola proibiu, certa vez, a inauguração de uma praça porque ela não permitia o acesso de deficientes.’’
A arquitetura sem barreiras surgiu, segundo Kátia de Paula, em 1963, quando mutilados de guerra realizaram um congresso na Suíça, exigindo que os engenheiros e arquitetos começassem a estudar maneiras de facilitar a locomoção dos deficientes. A partir daí, outros congressos foram realizados. ‘‘Mas de 1963 até agora pouca coisa mudou no Brasil. Aqui, a acessibilidade ainda é vista como filantropia, quando na verdade ela é uma questão de cidadania.’’
(Adriana De Cunto)

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