‘‘Doar esta área pública de preservação ambiental para a construção de um centro de lazer traz uma série de riscos. O maior deles é a abertura de um perigoso precedente, que futuramente seria usado como argumento para a edificação de novas obras em outros fundos de vales da cidade. Além, é lógico, do impacto ambiental e paisagístico negativo que esta intromissão causaria. Esta é a opinião da arquiteta Letícia Peret Antunes Hardt, em relação ao projeto de lei do Executivo de Londrina, que pretende doar através de licitação o aterro do lago Igapó 2 (na área central da cidade) para a iniciativa privada. Pelo projeto, no local seria construído um centro de lazer e turismo.
Letícia Hardt, que é especialista em paisagismo urbano e professora da Universidade Federal do Paraná (UFPR), esteve ontem em Londrina a convite do Clube de Engenharia e Arquitetura (Ceal). Ela fez palestra a estudantes sobre ‘‘Paisagismo urbano e planejamento da paisagem regional’’ e se reuniu com diretores da entidade. Lembrando que a construção de obras no aterro - ‘‘que indiscutivelmente está inserido num fundo de vale’’ - afronta a legislação federal de preservação do meio ambiente, ela comentou que fica muito preocupada com ‘‘este processo violento de ocupação dos últimos grandes espaços abertos e naturais que restam nos centros das cidades; no caso do Lago Igapó, ele é o maior e mais importante de Londrina.
Doutoranda na área de conservação da natureza na própria UFPR, a arquiteta ressaltou, no entanto, que não conhece em profundidade todos os dados da proposta de ocupação do aterro, uma área de mais de 80 mil metros quadrados e avaliada por imobiliaristas em cerca de R$ 3 milhões. ‘‘Não quero fazer avaliações prematuras. Mas certamente dá para falar que o ideal é a manutenção da área como um parque público de preservação ambiental. Obras, aqui, trariam um conjunto de impactos negativos: uns acarretariam problemas seriíssimos de circulação e outros, de saúde pública.
A diretoria do Clube de Engenharia e Arquitetura é contrária à construção do centro de lazer e turismo no aterro. A promotora do Meio ambiente, Maria Lúcia Reichembach, que também já se pronunciou contra as edificações, aguarda para a próxima semana a chegada de laudos técnicos do Instituto Ambiental do Paraná (IAP) e de uma comissão de professores da Universidade Estadual de Londrina (UEL) sobre as melhores formas de revitalização e preservação daquele espaço.Josoé de CarvalhoAlertaLetícia Peret Antunes Hardt:‘‘Doar área pública abre um precedente muito perigoso, que seria usado como argumento para edificações em outros fundos de vale. Abaixo, a arquiteta em reunião com diretores do CealOsmani Costa

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