Arquiteta comanda 180 homens
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sábado, 07 de março de 1998
Luciane Tonon 
Carlos AlmeidaSensibilidadeHelena Francisco, chefe do Departamento de Obras em Cornélio Procópio: sutileza com os subordinadosMulher no comando de uma equipe de trabalho de 180 homens, se não é um fato inédito, também não deixa de ser pouco comum. Mas este papel é executado com prazer pela arquiteta Helena Francisco, 40 anos, que desde janeiro do ano passado é a chefe do Departamento de Obras da Prefeitura de Cornélio Procópio. Estou onde eu gosto e não pretendo mudar de setor tão cedo.
Trabalhar com homens já não era novidade para a arquiteta. Antes de se estabelecer em Cornélio Procópio, ela trabalhava em uma empresa de São Paulo onde a maioria dos empregados eram homens. Eu não posso acompanhar uma obra, ir à campo ou na manutenção de saia. Mas a boa aparência faço questão de manter e também cobro isso dos funcionários, salienta, usando calças compridas e sapatos, mas caprichando sempre na maquiagem.
A feminilidade da mulher sempre cai bem, na opinião de Helena. Na sutileza, eu brinco com os funcionários dizendo: se você cortasse o cabelo, ficaria um homem mais bonito ainda. E eles aceitam. A simplicidade no relacionamento com os subordinados, segundo a arquiteta, é importante: O que vale a pena é valorizar as pessoas pelo que elas são e não pelo que têm, diz. Eu procuro ver o lado humano de cada um e não tomar simplesmente uma posição de chefe.
Agindo assim, ela garante que o resultado administrativo é melhor. Helena conta que quando assumiu a chefia, os funcionários estavam há cinco meses sem receber salário, o maquinário estava sucateado e o almoxarifado praticamente vazio. O estado emocional e psicológico dos funcionários estava péssimo e desiquilibrado, acrescenta.
Hoje o quadro é outro, segundo avalia. Os funcionários sentem liberdade de contar os problemas porque sabem que a mulher é mais sensível. É muito diferente ter uma mulher no comando, mas a capacidade dela de administrar ajudou em grande parte os nossos problemas, comenta o motorista Joaquim Américo de Souza, 45 anos, que trabalha há 8 anos na prefeitura.
Na avaliação da arquiteta, um dos setores de maior dificuldade no Departamento de Obras é o de coleta de lixo. A intuição feminina é indiscutivelmente maior do que a do homem. Se soubermos usar isso, nada fica difícil, principalmente para valorizar este tipo de trabalho, acrescenta.
O prefeito José Antônio Otoni da Fonseca (PMDB) diz que nunca hesitou em nomear uma mulher para o cargo ocupado por Helena. Conhecia o trabalho de Helena há tempos e sempre confiei na capacidade dela, afirma.


