Arquipélago é transformado em parque
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quarta-feira, 01 de outubro de 1997
Vânia Moreira Umuarama 
Arquivo Folha
Álvaro Orsi
Criatório naturalDecreto cria também a Área de Proteção Ambiental das Ilhas e Várzeas do Rio Paraná: mais de um 1,8 milhão de hectares com uso restringido. Na foto de cima, operação de salvamento depeixes e
alevinos presos em lagoas formadas na época das cheias
O presidente Fernando Henrique Cardoso assinou anteontem em Brasília o decreto que cria o Parque Nacional de Ilha Grande. O parque abrange 78.875 hectares de ilhas e várzeas do Rio Paraná, na divisa entre Paraná e Mato Grosso do Sul. São aproximadamente 150 quilômetros entre Guaíra e Icaraíma, no Noroeste do Estado. De agora em diante, a reserva passa a ser administrada pelo Ibama e atividades econômicas que depredam o meio ambiente, como a criação de gado, devem ser banidas das ilhas e várzeas.
O mesmo decreto que cria o parque nacional estabelece também a Área de Proteção Ambiental das Ilhas e Várzeas do Rio Paraná. São mais de um 1,8 milhão de hectares que, mesmo não sendo desapropriados, terão uso restringido. A fiscalização na região vem sendo feita pelo IAP em parceria com os municípios que formam o Consórcio Intermunicipal para Conservação do Remanescente do Rio Paraná e Áreas de Influência (Coripa).
RefúgioO Arquipélago de Ilha Grande reúne 300 ilhas, ilhotas, várzeas e lagoas onde vivem muitas espécies animais e vegetais em extinção. Segundo técnicos do Instituto Ambiental do Paraná (IAP) o ecossistema da região é único, abriga milhares de espécies da flora e da fauna e estava ameaçado pela pecuária, praticada sem nenhum controle até o início dos anos 90.
Ilhas e lagoas ainda intactas são refúgio de macacos bugio, veados campeiros, onças pintadas, jacarés-do-papo-amarelo e várias espécies de aves e peixes. Além disso, aves migratórias continentais têm nas várzeas do Rio Paraná importantes pontos de passagem. A vegetação abriga espécies classificadas como raridade na Lista Vermelha de Plantas Ameaçadas de Extinção no Parana. É o caso do pau-marfim, do jaracatiá e da guapeva.
FamíliasAs medidas para conter a degradação começaram há dois anos, quando foram retiradas das ilhas aproximadamente 3 mil cabeças de gado, mas alguns fazendeiros ainda brigam na Justiça pelo direito de explorar a pecuária na região. Também foram retiradas do local centenas de moradores que eram atingidos constantemente pelas cheias. Só no município de São Jorge do Patrocínio foram removidas 110 famílias.
Segundo ambientalistas, a criação do parque nacional resolverá todas as pendências. O governo federal indenizará os donos de aproximadamente 15 mil hectares nas ilhas e várzeas.
A área do parque está distribuída em cinco municípios do Paraná (Guaíra, São Jorge do Patrocínio, Vila Alta, Altônia e Icaraíma) e quatro de Mato Grosso do Sul (Mundo Novo, Eldorado, Itaquiraí e Naviraí). As águas do Rio Paraná ficaram fora da reserva para não inviabilizar o transporte pluvial de cargas.
Os órgãos de proteção ambiental terão um prazo de cinco anos para fazer o zoneamento da reserva, o que vai definir como o parque poderá ser explorado.


