Arquipélago deve virar parque nacional
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terça-feira, 02 de setembro de 1997
Vânia Moreira Umuarama 
Álvaro OrsiPrevisão de lucroOito municípios que margeiam o Rio Paraná querem explorar o turismo ecológico nos 150 mil hectares da futura reservaOs cerca de 150 mil hectares de ilhas e várzeas do Rio Paraná, entre Guaíra e a foz do Rio Paranapanema, na divisa com São Paulo, vão ser transformados em área de proteção ambiental federal. O decreto deve ser assinado até o final do ano pelo presidente Fernando Henrique Cardoso. Preocupados em garantir a exploração turística da região, prefeitos de oito municípios que margeiam o Rio Paraná, no Noroeste do Estado, se reuniram segunda-feira em São Jorge do Patrocínio (96 quilômetros a oeste de Umuarama) e elaboraram um documento com propostas para a criação do Parque Nacional de Ilha Grande.
O arquipélago de Ilha Grande já possui quatro Áreas de Proteção Ambiental (APAs) municipais e em 1994 foi criada também uma estação ecológica estadual abrangendo todo o arquipélago. Os municípios querem que o governo federal transforme tudo isso em parque nacional, mas que não restrinja a exploração ecoturística da região, cujo potencial é grande. O secretário do Meio Ambiente do Paraná, Hitoshi Nakamura, também assinou o documento encaminhado ao Ibama. Para Nakamura, o arquipélago pode ser explorado turisticamente sem danos para o meio ambiente.
Para o prefeito de São Jorge do Patrocínio, Claúdio Palozi (PSDB), o potencial turístico do Rio Paraná pode alavancar a economia dos municípios da região. Não queremos uma reserva como o Parque Nacional do Iguaçu, que tem um área restrita para a visitação, disse. Palozi preside o Coripa, um consórcio formado pelos municípios de São Jorge do Patrocínio, Altônia, Vila Alta e Icaraíma para preservação do arquipélago.
Estado e municípios começaram a se preocupar com a preservação das ilhas do Rio Paraná há pouco mais de cinco anos. Até meados de 1992, fazendeiros criavam gado nas ilhas indiscriminadamente e depredaram boa parte da reserva. Através de ações judiciais, fiscalização rigorosa e criação de mecanismos de proteção ambiental, os municípios conseguiram reduzir em cerca de 80% a exploração predatória das ilhas.
As terras pertencem à União até meados dos anos 80 eram ocupadas por pequenos posseiros, os ilhéus, que cultivam lavouras de subsistência. Estima-se que aproximadamente 2 mil famílias viviam nas ilhas. Com a construção da usina Hidrelétrica de Itaipu, as enchentes no Rio Paraná se tornaram constantes. Cansados de perder as lavouras todo o ano com as enchentes, os ilhéus começaram a ir embora e vender as posses para pecuaristas. A entrada do gado acelerou a degradação ambiental da reserva. Uma das últimas reservas ecológicas do Paraná, o complexo de ilhas e várzeas do Paranazão possui fauna e flora únicos. Destruir aquele ecossistema significa condenar a extinção várias espécies animais e vegetais que não sobreviveriam em outros lugares. Nas ilhas e várzeas do Paranazão vivem muitas espécies ameaçadas como o jacaré-do-papo-amarelo, o veado campeiro e o macaco bugio.


