A Arquidiocese de Londrina está adotando um novo modelo de gestão que pode ser comparado ao que existe de mais moderno no mundo empresarial. De acordo com o novo conceito, cada paróquia é considerada uma filial e a contabilidade fica centralizada na Mitra Arquidiocesana, responsável por toda parte administrativa e patromonial da Igreja.
Uma das mudanças mais importantes é a transformação do dízimo na principal fonte de receita das paróquias. Isso significa, em outras palavras, o fim das tradicionais festas com a finalidade de arrecadar dinheiro para obras, sociais ou não. As festas continuarão existindo, mas apenas com o objetivo de melhorar a convivência comunitária, sem visar lucro e sem comercialização e consumo de bebidas alcóolicas.
Ao mesmo tempo que incentiva o dízimo nas paróquias, a Mitra centraliza o controle financeiro com a implantação da contabilidade on-line. O novo sistema foi implantado este ano e já funciona nas 75 paróquias em todos os municípios sob a jurisdição da Arquidiocese. Com o novo modelo, qualquer lançamento contábil feito a partir de agora nas paróquias será automaticamente registrado em um computador que se localiza no Centro de Pastoral, sem o risco de perda de arquivos por problemas de back-up.
''A gente tem que se atualizar porque no sentido de administração a Igreja também é uma empresa e deve seguir as normas municipais, estaduais e federais'', explica o arcebispo dom Orlando Brandes.
No entanto, embora o nível de profissionalismo seja considerado alto entre os profissionais que cuidam da parte administrativa, o arcebispo destaca que somente este requisito não é suficiente. Segundo ele, a pessoa precisa ter um pouco de conhecimento religioso. ''Precisamos trabalhar não apenas com pessoas entendidas, honestas e competentes no assunto administrativo, mas que também conheçam o cristianismo e como funciona a Igreja'', ressalva.
Outra diferença citada por dom Orlando está nos cuidados com o dinheiro. Segundo ele, a Igreja deve servir de exemplo para ter autoridade e cobrar os governos ou o sistema econômico sobre possíveis abusos. ''Não podemos cobrar os outros se nós mesmos não damos o exemplo de uma administração ética, moral, adequada a coerente; o dinheiro da Igreja é um dinheiro sagrado, é um dinheiro dos pobres e, portanto, temos a obrigação de administrá-lo bem.''
Um dos pontos que dom Orlando considera mais importantes nesta mudança de conceito está no fim da venda de bebidas alcoólicas nas festas promovidas nas comunidades paroquiais. Antes, as festas serviam de argumento para arrecadar dinheiro para a manutenção da Igreja. ''Nós estamos em uma fase de conscientização, mas graças a Deus muitas paróquias já fazem suas festas sem o álcool e isso não diminui em nada o resultado financeiro e a alegria é muito grande. A participação do povo é maior e com menos riscos'', avalia.

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