Arqueólogos encontram 12 sítios
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segunda-feira, 25 de agosto de 1997
Curitiba 
Kraw PenasTécnicos acharam vestígios da sociedade que viveu no local há 6 mil anosEscavações na área da futura fábrica da montadora Renault possibilitaram a descoberta de 12 sítios arqueológicos. Foram encontrados vestígios de índios que viveram no Paraná 2 mil anos a.C. O trabalho foi feito às margens da BR-277, em São José dos Pinhais, Região Metropolitana de Curitiba. A coordenação coube ao Centro de Estudos Arqueológicos da Universidade Federal do Paraná (UFPR).
A grande quantidade de pontas (de lanças e flechas) encontrada pelos pesquisadores indica que os índios eram caçadores que baseavam sua economia na exploração dos recursos naturais e desconheciam a cerâmica. Esse grupo teria vivido naquela região de São José dos Pinhais até 1.400 a.C., quando chegou outro povo indígena, o G, antecedente dos caingangues.
Nesta época supostamente apareceu mais um grupo de índios, o tupi-guarani. As duas tribos teriam dividido a terra até a chegada dos europeus, no século XVI. Foi aí que os G provavelmente abandonaram a região e os tupis-guaranis iniciaram o relacionamento com o homem branco. Essa miscigenação daria origem ao caboclo e as famílias passariam a confecccionar cerâmicas, além de viver da caça e da agricultura.
Segundo o pesquisador Igor Chmyz, do Centro de Estudos Arqueológicos da UFPR, os sítios mais antigos tinham a casa coberta com sapé. Depois, vieram as telhas coloniais. É uma história que não está registrada em livro e o material encontrado prova tudo, acredita ele, que há 40 anos faz escavações em áreas destinadas à construção de usinas, estradas e empresas.
A equipe do Centro de Estudos encontrou também vestígios recentes de uma fazenda, com porcelanas chinesas e francesas. Isso significa que no local moravam pessoas ricas, que deveriam estar ligadas ao ciclo do café, em meados do século passado, comenta Chmyz. Nos 45 dias de escavações, foram encontradas 20 mil peças, algumas delas em outra área, destinada à montadora Audi.
Além dos terrenos das montadoras, as escavações se estenderam à área do Contorno Leste e ao trecho da BR-116 a ser duplicado. Todo o material recolhido vai ser analisado em laboratório.


