Um dos armazéns do extinto Instituto Brasileiro do Café (IBC) em Rolândia (25 km a oeste de Londrina) está sendo depredado à luz do dia. Partes da fiação de cobre e do telhado de alumínio do galpão foram levadas por ladrões nos últimos meses. Conforme informações da Polícia Civil, alguns jovens chegaram a ser detidos em flagrante, mas foram liberados em seguida por serem réus primários e porque a vítima (o órgão responsável pela estrutura) não se apresenta como parte interessada.
A polícia entende que a forma mais eficiente de combater este tipo de crime é chegar ao receptador, que possivelmente é de Londrina. ‘‘Mas como existe uma lei do silêncio entre os autuados, não há ainda indícios consistentes.’’
Sob administração da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a imensa estrutura de 12 mil metros quadrados – construída para estocar a produção de café do município no auge do ciclo – está desativada e posta à venda.
À margem da linha férrea e da Avenida Presidente Vargas, via utilizada por veículos procedentes de Londrina e que corta o parque industrial, o galpão tem acesso livre e não possui sistema de vigilância. A reportagem da Folha entrou em contato com o escritório da Conab em Curitiba, mas foi informada que as pessoas que poderiam falar sobre o assunto estavam em reunião. Em um segundo contato, uma funcionária informou que o expediente estava encerrado.
Moradores do Jardim Planalto, bairro de classe média baixa nas imediações do armazém, estão assustados com a movimentação constante de desocupados no local, que muitas vezes o adotam como refúgio para consumir drogas.
Uma pequena vila de casas de funcionários que faz parte do complexo também está vazia e já foi alvo dos ladrões. ‘‘Nós não temos mais sossego. De vez em quando a gente ouve o barulho de telhas sendo jogadas no chão ou alguém andando lá em cima. Outro dia, um deles estava aqui, levando as tomadas e os soquetes das casas. A gente não pode fazer nada porque temos medo’’, disse uma aposentada que vive há 20 anos no bairro e que do fundo do quintal tem visão privilegiada do galpão.
Sua vizinha lembra da época de grande movimentação de caminhões no pátio do armazém. ‘‘Era uma época boa. Dá saudade. Hoje a gente vê tudo isto abandonado e dá uma tristeza danada. Além de tudo, a gente vê uma coisa sendo destruída e não pode fazer nada’’, conta a dona de casa. Assim como todos os moradores que conversaram com a reportagem sobre o assunto, elas não quiseram se identificar temendo represálias.
Segundo o tenente Gustavo Hauenstein, as denúncias de depredação ocorrem constantemente, mas o flagrante é dificultado pela visão privilegiada que os ladrões têm do alto do armazém e a facilidade deles chegarem a terrenos baldios usadas como esconderijo.

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