Vânia Moreira
De Umuarama
Um armazém de mais de mil metros quadrados pertencente ao governo federal está vazio e abandonado há quase dois anos em Cruzeiro do Oeste (29 km a leste de Umuarama). O armazém pertence à Rede Federal de Armazéns Ferroviários (Agef).
A Agef procura interessados em comprar ou arrendar o armazém, a única ‘‘lembrança’’ do projeto de construção de uma estrada-de-ferro, elaborado há mais de 40 anos, mas que nunca saiu do papel. O armazém foi construído no final dos anos 50 para servir à Rede Ferroviária, mas a linha férrea nunca chegou à região.
A rede ferroviária chegou até Cianorte, a 60 quilômetros de Cruzeiro do Oeste. O projeto da ferrovia que seguiria até Guaíra foi feito há 40 anos, no auge da cafeicultura. Com o declínio do café e a entrada da pecuária, perdeu importância e ficou engavetado.
O armazém de Cruzeiro do Oeste está vazio desde 1997, quando a Companhia Paranaense de Abastecimento (Copasa) rescindiu o contrato de arrendamento com a Agef. A Copasa usou o prédio quase 20 anos para armazenar grãos e farinha de mandioca. Antes de ser arrendado à Copasa, o armazém também foi usado pelo extinto Instituto Brasileiro do Café (IBC).
O armazém fica na Avenida Brasil, a principal de Cruzeiro do Oeste, cujo traçado previa duas pistas de tráfego e a linha de ferro. A cidade não cresceu e a avenida acabou tendo apenas uma pista asfaltada e com calçadas enormes.
Segundo o superintendente comercial da Agef, Hernani Marinho, a empresa está em fase de privatização e desativou 90% de suas instalações e armazéns para conter gastos. A Rede Ferroviária também arrendou o serviço de transporte para empresas privadas e está fazendo o levantamento do patrimônio não utilizado, que inclui um terreno de 10 mil metros quadrados ao lado da estação no centro de Cianorte. A Companhia Melhoramentos Norte do Paraná e a prefeitura de Cianorte querem ficar com o terreno.
De acordo com Celso Cândido da Silvas, do cadastro de patrimônio da Rede Ferroviária, o governo chegou a assinar o decreto de desapropriação da área por onde passaria a linha de ferro entre Cianorte e Guaíra, com 150 quilômetros de extensão. ‘‘Estamos apurando se estas desapropriações foram efetivadas ou não e se há terrenos pertencentes à rede na região’’, informou.
O deputado federal Osmar Serraglio (PMDB), de Umuarama, informou esta semana que o governo federal incluiu a construção da Ferrovia Cianorte–Guaíra em seu Plano Plurianual, batizado de Avança Brasil. O plano prevê obras para os próximos quatro anos e ainda depende de aprovação do Senado.
Segundo o deputado, com a obra incluída no plano fica mais fácil brigar pela liberação de recursos para a construção. ‘‘Vamos defender este projeto que é um dos principais e mais antigos reivindicados pelo Noroeste do Paranᒒ, disse Serraglio.

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