Armas usadas por assaltantes vão reforçar ações da Polícia Militar
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sexta-feira, 27 de setembro de 2002
Ana Paula Nascimento<br> Reportagem Local 
Armas usadas por quadrilhas de assaltantes estão agora ''do outro lado'' e vão reforçar as ações do 5º Batalhão da Polícia Militar (5º BPM) de Londrina. As cinco armas, de uso proibido por civis, foram apreendidas e acabariam destruídas se não fossem cedidas à Polícia Militar (PM) com autorização do Ministério do Exército. A idéia partiu do juiz da 1 Vara Criminal, João Luiz Cleve Machado, explicou ontem o comandante do 5º BPM, tenente-coronel Rubens Guimarães. Entre as armas, estão duas usadas pela quadrilha do assaltante Marcelo Borelli no roubo à empresa Proforte, de Londrina, em 1999, quando foram levados R$ 2,9 milhões.
''Pelo que tenho conhecimento, é a primeira vez que um juiz toma esse tipo de medida e espero que a minha atitude sirva de exemplo pois não tem sentido armas que poderiam ser bem utilizadas pela polícia, serem destruídas'', afirmou Machado. Segundo ele, em Londrina são aprendidas, em média, de 2 mil a 2,5 mil armas por ano, sendo que atualmente há, em depósito de cofre bancário, seis mil armas em que os processos ainda estão em tramitação.
As armas consideradas mais ''exóticas'', na avaliação dos policiais, são as de Marcelo Borelli. Elas foram encontradas pela polícia, dias após o assalto, em um terreno atrás da Universidade Estadual de Londrina (UEL). A primeira é um fuzil AK 47, de tecnologia russa e fabricação chinesa, com calibre de 7.62 milímetros, chega a ter cadência de disparo de 700 tiros/minuto, com velocidade de 700 metros/segundo. O alcance do projétil com mira é de 300 metros, mas pode chegar a 800 metros. ''Essa é a arma que o Bin Laden sempre mostra quando aparece na televisão. No Brasil, ela só é encontrada no mercado negro'', comentou o comandante do Pelotão de Choque, o tenente Pedro Paulo Porto de Sampaio. Em demonstração realizada no estande de tiro do 5º BPM, um projétil da arma chegou a perfurar chapa de aço de 8 mm, a uma distância de 20 metros.
A outra arma utilizada pela quadrilha de Borelli, e também considerada de alto poder de impacto, é uma submetralhadora UZI, de fabricação israelense. Ela chega a ter cadência de 20 tiros/segundo, com velocidade de disparo de 420 metros/segundo. Cada carregador tem 32 tiros, que podem ser totalmente disparados em quatro segundos, em uma única rajada.
Além desses armamentos, também foram cedidas duas pistolas de 9 mm, das marcas Taurus e Jericó (israelense) e uma 12 mm, da marca americana Mossberg essa última foi utilizada em assalto ao Banco Banestado de Tamarana, no ano passado. Ontem, a PM apresentou apenas as armas usadas por Borelli. As outras estavam em manutenção.
O processo burocrático para a cessão das armas à PM demorou cerca de seis meses e em duas semanas elas já deverão estar sendo utilizadas pelo Pelotão de Choque da PM, quando todos os policiais terão sido treinados para manuseá-las. No total, elas têm valor avaliado em R$ 23 mil.
''Essas armas só serão utilizadas em situações muito especiais, como sequestros, assaltos a bancos e carros-fortes. No dia-a-dia, elas não se fazem necessárias'', comentou Guimarães. Segundo ele, a PM apreendeu este ano cerca de 400 armas.


