Armadilhas de dengue passam por manutenção
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terça-feira, 30 de dezembro de 2003
Célia Guerra<br> Reportagem Local 
Agentes de saúde de Londrina iniciaram ontem mais uma coleta de dados das armadilhas de dengue instaladas na cidade. Eles estão trocando as palhetas que abrigam possíveis ovos depositados pelas fêmeas. No laboratório de entomologia da 17 Regional de Saúde, funcionários do setor realizam a leitura do material. Segundo o educador em saúde Lincoln Ramos e Silva, que integra a equipe de coordenação das armadilhas, hoje deverão ser divulgados os primeiros índices de infestação do mosquito na cidade.
Ramos e Silva explica que fêmeas preferem pôr seus ovos em locais escuros e porosos. Por isso, as chamadas ''armadilhas ovitrampas'' são feitas em potes de plástico preto. Neles são colocados uma mistura de água fenada (água com infusão de capim) e as palhetas (pequenos pedaços de aglomerado). Atraída pela substância, a fêmea do mosquito transmissor deposita os ovos. A água é tratada com larvicida, para impedir o avanço no ciclo de vida do mosquito e evitar riscos para os moradores. A coleta de dados ocorre uma vez por semana, sempre nas segundas e terças-feiras.
As armadilhas começaram a ser instaladas no dia 15 de dezembro e estão previstas a colocação de 20 mil recipientes 10 mil em Londrina e o restante nas outras 21 cidades da região que integram o órgão. Até agora foram instaladas cerca de quatro mil armadilhas, ainda em caráter de teste. ''Até o dia 10 de janeiro o trabalho deverá ser concluído'', garantiu o coordenador.
Os locais de instalação foram escolhidos através da metragem da cidade. ''Temos um pólo de armadilhas a cada 600 metros'', explica Ramos e Silva. Em cada um desses pólos são escolhidas 15 residências localizadas no mesmo quarteirão ou em áreas vizinhas. Dessas, cinco abrigam dois recipientes: no interior e no quintal das casas.
Nas armadilhas da parte externa, a pesquisa levanta as espécies de mosquito que predominam na região. Já os ovos encontrados na parte interna, de acordo com o coordenador, são do mosquito Aedes aegypt. ''As fêmeas entram nas casas para se alimentar do sangue das pessoas'', explicou.
Além do levantamento dos índices e locais de infestação do mosquito, as armadilhas vão contribuir para determinar medidas de controle. ''Regiões com alto índice do mosquito (acima de 31 ovos) devem ser intensificadas as ações de controle, como o tratamento de vasos, mutirões de limpeza e educação da população'', exemplificou Ramos e Silva.
A casa da aposentada Adélia Magro de Mello, 75 anos, na Vila Portuguesa (Área Central) foi uma das escolhidas para abrigar as armadilhas. Para ela, a medida é importante no controle do mosquito. Segundo a aposentada, no ano passado uma de suas filhas teve a doença. Ela não esconde a preocupação com o risco de uma nova contaminação, dessa vez com a dengue hemorrágica.
As armadilhas foram adotadas na tentativa de impedir uma nova epidemia como ocorreu no início de 2003. Até agora, 12.011 casos suspeitos foram notificados e 5.833 pessoas contraíram a doença. Depois do inverno, apenas um caso de dengue foi confirmado, no final de novembro, em uma paciente que teria contraído a doença fora da cidade.


