Durante o encontro do secretário de Direitos Humanos com as entidades que trabalham na área no Paraná foi registrado um incidente que acabou comprovando a colocação do próprio José Gregori que ‘‘a taxa de respeito ao direitos humanos ainda é baixa no Brasil’’. O incidente envolveu o presidente da Associação dos Ciganos em Curitiba, Cláudio Iovanovithch, que foi pedir ao secretário o direito da população cigana ter acesso a documento de identidade. Segundo ele, 90% dos 600 mil ciganos do Brasil não têm documento.
Logo depois de ouvir a promessa de solução do impasse, Iovanovithch foi surpreendido pela colocação da presidente do Movimento em Defesa das Crianças Desaparecidas, Arlete Caramês: ‘‘Antigamente dizia-se que os ciganos roubavam crianças e eu acredito nisso’’, disse ela. O cigano prometeu iniciar um processo por discriminação racial. A Folha tentou contato com Arlete, mas ela não foi encontrada ontem.
O tema foi levantado também pelos homossexuais do Paraná que cobraram do secretário José Gregori a elaboração de um projeto de lei que proíba a discriminação por orientação sexual. Lideranças homossexuais do Grupo Dignidade e Esperança entregaram uma relação de propostas pedindo a inclusão, no Plano Nacional de Direitos Humanos, de ações para amenizar a violência, discriminação e preconceito contra gays, lésbicas e travestis.
Apesar da crescente preocupação com a valorização dos direitos humanos, o secretário explicou que os problemas enfrentados no Paraná são comuns em todo o Brasil. De acordo com Gregori, a novidade nos últimos anos é que está havendo uma conscientização maior da necessidade de se valorizar os direitos humanos e também uma colaboração maior entre os governos federal e estadual, e a própria sociedade civil.(G.F.)

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