Adolescentes que cometeram atos infracionais e estão internados na Escola de Reintegração de Adolescentes (ERA), em Iguatemi, distrito de Maringá, estão participando de um curso de modelagem com argila coordenado por um artista plástico e estudante de psicologia da Universidade Estadual de Maringá (UEM). Durante a atividade, os adolescentes aprendem a trabalhar com a argila e a montar peças que depois são expostas no ateliê do câmpus da universidade.
Marcos NegriniAnimadoE.F.S., 17 anos, considera a atividade ‘‘legal’’ por dar ocupação diferente ao interno
Apesar de ter sido incluído nas atividades de recuperação há apenas três meses, o curso já é o preferido dos adolescentes. A maioria deles considera o trabalho com a argila interessante. ‘‘É legal porque a gente tem uma ocupação diferente, que faz a gente criar alguma coisa’’, diz E.F.S., 17 anos. Ele está internado pela segunda vez na ERA e diz que agora pretende se recuperar.
E.F.S. praticou assalto a um taxista no ano passado. Foi encaminhado para a ERA mas conseguiu fugir. De novo na rua, ele começou a praticar outros atos infracionais e voltou a usar drogas. ‘‘Percebi que estava ficando pior para mim. Por isso resolvi voltar e me recuperar’’, garante. Sobre o trabalho com a argila, E.F.S, questiona: ‘‘Quem sabe não é com isso que eu vou trabalhar depois que sair daqui?’’
Marcos NegriniComparativoM.A.M., 16 anos, diz que trabalhar com argila é muito melhor que assistir televisãoPara M.A.M., 16 anos, a atividade com argila é ‘‘muito melhor do que assistir TV’’. Ele está na ERA por praticar furtos em Paranavaí e afirma que apesar de estar cansado de ficar na escola, só vai sair depois de cumprir o período sócio-educativo.
De acordo com o estudante de psicologia e idealizador do curso, Valmir Batista Silva, 33 anos, a capacidade de absorção de idéias dos adolescentes internados na ERA, ‘‘é fantástica’’. Ele explica que a maioria dos adolescentes infratores acaba copiando as peças, uns dos outros, mas cada trabalho apresenta um traço particular, um trabalho com características próprias de cada adolescente.
Marcos NegriniRetorno
positivoC.E.T., 17 anos, já saiu da ERA mas continua frequentando o curso de modelagem; adolescente surpreende pela criatividadeO curso é dividido em três etapas. Na primeira os adolescentes conhecem a argila e têm o primeiro contato para o reconhecimento da matéria. Na segunda é introduzido algumas técnicas que ensinam os movimentos das mãos para a montagem das peças. Na terceira etapa, os adolescentes criam as peças. No encerramento é feita uma comparação entre os primeiros trabalhos realizados pelos adolescentes e as peças criadas no final do curso.
O trabalho com os adolescentes infratores faz parte do estudo que Silva está desenvolvendo sobre ‘‘A contribuição da modelagem em argila no processo de ressocialização e inclusão do menor infrator na sociedade’’. Segundo o artista plástico, a modelagem em argila contribui para que os adolescentes descarreguem a energia e a agressividade existente dentro de si.
Além disso, explica Silva, o curso tem como objetivo aprimorar o desenvolvimento da psicomotricidade e o gosto pela arte. ‘‘Ao descobrir o gosto pela arte eles descobrem o belo e passam a identificar o belo. Desta forma, novos valores são infundidos no dia-a-dia destes menores’’, explica. A modelagem em argila, ainda segundo o artista, também permite que os adolescentes desenvolvam a psicomotricidade, aprendendo, por exemplo, sobre o poder da concentração, atenção e criatividade.

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