A formação do reservatório da Usina Hidrelétrica de Salto Caxias, em Capitão Leônidas Marques (180 quilômetros de Foz do Iguaçu), está preocupando o governo argentino e o setor turístico de Foz do Iguaçu. A diminuição por cerca de 60 dias da vazão do Rio Iguaçu e, consequentemente, do fluxo das Cataratas, é o motivo da preocupação. A partir de 15 de setembro começará a ser formado o lago da usina. Empresas e entidades do setor turístico temem que o baixo volume de água nas Cataratas deixe de atrair turistas.
Para encher o reservatório da usina, a vazão do Rio Iguaçu, que normalmente é de 1,2 mil metros cúbicos por segundo, não deverá passar de 200 metros cúbicos por segundo. O ministro de Ecologia da Argentina, Luis Rey, disse ao jornal argentino El Território, de Misiones, que a diminuição da vazão vai afetar drasticamente a fauna e a flora da região durante muitos anos. ‘‘Ao diminuir a vazão, desaparecerão muitos tipos de plantas e peixes. O equilíbrio aquático também será rompido’’. Rey lamentou ainda a inexistência de um tratado entre Barsil e Argentina sobre o uso dos recursos hídricos do Rio Iguaçu que, segundo ele, poderia evitar problemas ambientais.
A Fundação Vida Silvestri, da Argentina, também acredita que a diminuição da vazão vai prejudicar peixes e plantas, além de animais que serão afetados por causa da diminuição de oxigênio. A Associação Brasileira dos Agentes de Viagens (Abav) e a Foztur (órgão oficial de turismo em Foz) temem que a econômia local, que sobrevive basicamente do turismo, sofra um impacto negativo com a baixa vazão das quedas.
O presidente da Abav, Nelson Mariani, salientou que a divulgação feita pela Copel de que vai ocorrer diminuição no volume de águas das Cataratas poderá contribuir ainda mais para o afastamento de turistas. ‘‘Quem vai querer visitar Foz se não tiver água nas Cataratas?’’, indagou.
O presidente do Conselho Municipal de Turismo, Marcelo Valente, encaminhou uma correspondência à presidência da Copel, solicitando explicações sobre o problema e manifestando contrariedade sobre a redução da vazão do Rio Iguaçu. O Conselho sugere que o reservatório seja completado em cerca de 150 dias e não 60 dias, conforme está previsto. Dessa forma, a vazão ficaria na média de 800 metros cúbicos por segundo.
A formação do lago de Salto Caxias, que terá 132 quilômetros quadrados de superfície, está prevista para ser iniciada no dia 15 de setembro. A Usina de Salto Caxias deverá operar com carga máxima a partir do primeiro semestre do ano que vem.
Equipes da Copel e várias outras entidades convidadas a participar da operação vão monitorar toda a região ribeirinha desde o canal de fuga da Usina de Salto Osório até as imediações das Cataratas. A caça e a pesca no Rio Iguaçu serão proibidas na região do reservatório, enquanto o lago estiver sendo formado, para evitar ações predatórias.

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