Argentino preso em Ibaiti diz que sofre perseguição
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quarta-feira, 01 de julho de 1998
Reprodução/Carlos AlmeidaCláudio Manchego: desesperoLuciane Tonon 
Uma história de amor não correspondido está causando desespero e perseguição ao argentino Cláudio Guillermo Manchego, 37 anos. Ele foi preso há um ano e oito meses em Ibaiti (80 km ao sul de Jacarezinho), por tentativa de incêndio na casa da ex-namorada, a professora Marinilda Conceição Costa. Manchego diz que está pagando pelo que fez, mas teme ser deportado do País e sofrer perseguições por parte do advogado de Marinilda, César Augusto Mello e Silva. Esta semana, Manchego foi transferido para a Colônia Penal de Piraquara (Região Metropolitana de Curitiba). Silva nega as acusações e diz que Manchego tem problemas mentais.
Estão fazendo de tudo para não me deixar regularizar os documentos no País, afirma Manchego. Segundo ele, a Polícia Federal deu um prazo de oito meses para ele se legalizar, mas desde novembro de 97, quando foi concedido seu pedido de regime semi-aberto, ainda não teve a chance de sair da cadeia. Só pode ser perseguição por eu ser estrangeiro. Tudo o que é de ruim que acontece na cadeia, a culpa acaba sendo minha, queixa-se. Ele se refere a uma tentativa de fuga na cadeia de Ibaiti, em que foi responsabilizado.
Manchego foi preso em março de 1997. Em seu depoimento, alegou que ateou fogo na casa da ex-namorada para pressioná-la a sair e atendê-lo. Ela não queria mais continuar o relacionamento e ele se revoltou. A única forma para ela me atender era ateando fogo na casa. Marinilda não estava em casa. Como Manchego já havia feito outras ameaças por telefone, foi preso com agravantes.
A princípio, Manchego foi condenado a 8 anos e 11 meses de reclusão e mais 25 dias de multa. Em 26 de novembro de 97, Manchego teve sua pena reduzida para quatro anos. Como já havia cumprido uma terça parte, foi beneficiado com o regime semi-aberto. Manchego só foi encaminhado para Curitiba porque fez greve de fome de seis dias.
O advogado César Augusto de Mello e Silva diz que Manchego sempre foi uma ameaça para a família de Marinilda. Inclusive ele prometeu matar a família dela quando conseguir a liberdade. Segundo Silva, Manchego se apresentou no Brasil com identidade falsa italiana e mentiu que era engenheiro. Ele morava em um quarto na casa de Marinilda, até a família perceber que ele mentia e que poderia ser uma pessoa perigosa, sem referência e de comportamento estranho, disse o advogado.
Silva argumenta ainda que em nenhum momento Manchego recebeu a visita de familiares ou amigos da Argentina. Ele não tem endereço próprio e muito menos referência, como pode exigir tratamentos diferentes dos presos brasileiros?, questiona o advogado.
O delegado de Ibaiti, Ítalo César Siga, não concorda que Manchego teria passado humilhações na cadeia. Todos os procedimentos cabíveis foram tomados, tanto é que ele já está na colônia penal, onde deverá ficar em regime semi-aberto, disse o delegado.


