Uma história de amor não correspondido está causando desespero e perseguição ao argentino Cláudio Guillermo Manchego, 37 anos. Ele foi preso há um ano e oito meses em Ibaiti (80 km ao sul de Jacarezinho), por tentativa de incêndio na casa da ex-namorada, a professora Marinilda Conceição Costa. Manchego diz que está pagando pelo que fez, mas teme ser deportado do País e sofrer perseguições por parte do advogado de Marinilda, César Augusto Mello e Silva. Esta semana, Manchego foi transferido para a Colônia Penal de Piraquara (Região Metropolitana de Curitiba). Silva nega as acusações e diz que Manchego tem problemas mentais.
‘‘Estão fazendo de tudo para não me deixar regularizar os documentos no País’’, afirma Manchego. Segundo ele, a Polícia Federal deu um prazo de oito meses para ele se legalizar, mas desde novembro de 97, quando foi concedido seu pedido de regime semi-aberto, ainda não teve a chance de sair da cadeia. ‘‘Só pode ser perseguição por eu ser estrangeiro. Tudo o que é de ruim que acontece na cadeia, a culpa acaba sendo minha’’, queixa-se. Ele se refere a uma tentativa de fuga na cadeia de Ibaiti, em que foi responsabilizado.
Manchego foi preso em março de 1997. Em seu depoimento, alegou que ateou fogo na casa da ex-namorada para pressioná-la a sair e atendê-lo. Ela não queria mais continuar o relacionamento e ele se revoltou. ‘‘A única forma para ela me atender era ateando fogo na casa’’. Marinilda não estava em casa. Como Manchego já havia feito outras ameaças por telefone, foi preso com agravantes.
A princípio, Manchego foi condenado a 8 anos e 11 meses de reclusão e mais 25 dias de multa. Em 26 de novembro de 97, Manchego teve sua pena reduzida para quatro anos. Como já havia cumprido uma terça parte, foi beneficiado com o regime semi-aberto. Manchego só foi encaminhado para Curitiba porque fez greve de fome de seis dias.
O advogado César Augusto de Mello e Silva diz que Manchego sempre foi uma ameaça para a família de Marinilda. ‘‘Inclusive ele prometeu matar a família dela quando conseguir a liberdade’’. Segundo Silva, Manchego se apresentou no Brasil com identidade falsa italiana e mentiu que era engenheiro. ‘‘Ele morava em um quarto na casa de Marinilda, até a família perceber que ele mentia e que poderia ser uma pessoa perigosa, sem referência e de comportamento estranho’’, disse o advogado.
Silva argumenta ainda que em nenhum momento Manchego recebeu a visita de familiares ou amigos da Argentina. ‘‘Ele não tem endereço próprio e muito menos referência, como pode exigir tratamentos diferentes dos presos brasileiros?’, questiona o advogado.
O delegado de Ibaiti, Ítalo César Siga, não concorda que Manchego teria passado humilhações na cadeia. ‘‘Todos os procedimentos cabíveis foram tomados, tanto é que ele já está na colônia penal, onde deverá ficar em regime semi-aberto’’, disse o delegado.

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