Argentino morre ao se jogar de trilha
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quarta-feira, 11 de março de 1998
Valmir Denardin 
Ney de SouzaFerimentos gravesA operação de resgate durou meia hora; Serulnikov teve traumatismo craniano e ruptura no fígado O professor argentino Claudio Julian Serulnikov, de 32 anos, morreu ontem na Santa Casa de Foz do Iguaçu, depois de se jogar de uma das trilhas que dão acesso às Cataratas do Iguaçu. Ele caiu de uma altura de cerca de 15 metros, sobre grandes pedras à margem do Rio Iguaçu. Testemunhas disseram que o turista pulou a cerca de proteção para se jogar e que ele demonstrava ter a intenção de se suicidar.
O incidente ocorreu por volta das 9 horas, quando o movimento de visitantes no Parque Nacional do Iguaçu ainda era pequeno. Serulnikov - que morava em Buenos Aires - visitava a fronteira em companhia da mulher e de um grupo de turistas da capital argentina. Eles estavam hospedados em um hotel de Puerto Iguazú, na fronteira com Foz do Iguaçu. O casal viajava em lua-de-mel.
Ele subiu a cerca e se jogou de cabeça, contou à Folha Ana Marta de Almeida, de 30 anos, dona da lanchonete Echaporã, localizada a menos de 50 metros do local do incidente. O guia, que vinha logo atrás, tentou socorrer, mas não teve jeito, completou.
Segundo a comerciante, o turista estava ao lado da mulher quando se atirou em direção ao rio. Depois disso, a mulher - que aparenta 25 anos e não teve seu nome revelado - foi levada para a lanchonete de Ana Marta. Ela só pedia para que não a incomodassem, disse a comerciante.
Ana Marta afirmou também que o guia de turismo do grupo informou que Serulnikov sofria de esquizofrenia, tinha mania de perseguição e tomava medicamentos regularmente. Como ele estava em lua-de-mel, achou que não precisava dos remédios, disse Ana Marta. Ontem à tarde, a Folha tentou, sem sucesso, localizar a mulher de Serulnikov e o guia que acompanhava o grupo.
A operação para resgatar Serulnikov do local durou cerca de meia hora e envolveu cinco viaturas do Corpo de Bombeiros, nove soldados, dois socorristas e um médico, além de uma equipe da Polícia Florestal. O turista, que estava consciente e falando, foi imobilizado e colocado em uma maca. Depois, a maca foi içada por cordas até a trilha.
Levado para a Santa Casa, Serulnikov morreu às 11h20. A Santa Casa não divulgou a causa da morte. Até as 17h30, o Instituto Médico Legal (IML) ainda não tinha concluído a necrópsia no corpo. Segundo o tenente do Corpo de Bombeiros Antônio Hiller Lino, que comandou o resgate, o turista apresentava traumatismo craniano, sinais de rompimento de fígado e lesões por todo o corpo.
O chefe-substituto do Institututo Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) no Parque do Iguaçu, Cezar Pirajá Júnior, disse que o órgão não pode ser responsabilizado pela morte do turista argentino. Não houve nenhum acidente. Ele, simplesmente, quis se matar, afirmou. Segundo Pirajá Júnior, em 59 anos, o parque nunca registrou acidentes. Em 97, recebeu 760 mil visitantes.


