Argentina 'prende' família na fronteira
Emerson Dias
De Foz do Iguaçu
Especial para a Folha
Ele é argentino, natural de Mendoza. Ela é brasileira, nascida em Santarém (PA). O filho tem cinco anos e nasceu na Guiana Francesa, onde a família vive há dez anos, na fronteira com o Brasil pela região Norte.
Daniel Cristovan Peiró, 43 anos, Maria Zenaide Portela Peiró, 43, e Michael Eric Peiró, 4, estão há 27 dias retidos na aduana argentina da Ponte Tancredo Neves, que liga o Brasil ao país vizinho, por causa de irregularidades com a documentação do trailer, onde a família carrega toda a mudança que possui.
A aventura já dura quase um ano (veja mapa nesta página). Daniel Peiró conta que os documentos do caminhão foram roubados quando chegou a Foz do Iguaçu em março, mas que isso não prejudicou a passagem do Brasil para a Argentina em maio. Ele e a esposa viajaram para Mendoza para apresentar o neto à avó, que está doente. O problema começou quando decidiram voltar para o Brasil e foram barrados pela fiscalização da fronteira, local onde estão retidos.
O chefe responsável pela aduana, Carlos Arribillaga, disse que, pela lei argentina, qualquer veículo que entra no país precisa ser regularizado em três meses, e que Peiró demorou seis meses para fazer isso. Como a multa para quem comete esta infração tem efeito cumulativo, o valor pode chegar a US$ 17 mil.
Os fiscais da fronteira estão apenas complicando a vida da minha família por eu não viver mais no país natal, disse Daniel Peiró. Ele disse que deixou a mulher e o filho na casa da mãe em julho e viajou para a Guiana somente para retirar outra via dos documentos do veículo, e ficou sabendo que o visto de permanência do carro havia vencido somente depois de voltar para a Argentina.
Os fiscais da aduana afirmam que a família não está presa e que pode sair dali quando quiser. Construí este caminhão sozinho. Sei que quando voltar para buscá-lo, não o encontrarei mais, afirma Peiró. Maria está grávida de sete meses e vem sentindo muitas dores nos últimos dias. Com apenas R$ 4,00 no bolso e alguns dólares guardados, a família não sabe como vai conseguir passar mais um final de semana na aduana. Peiró espera a vinda de um juiz para tentar uma solução.





