Método é reprovado pela direção do parque no lado brasileiro; argentinos argumentam que não há danos para o meio ambiente
Ney de SouzaOBRA POLÊMICAPilares das passarelas, desativadas desde a enchente de 1982, estão sendo dinamitados


Emerson Dias
De Foz do Iguaçu
Especial para Folha

A concessionária responsável pelas obras de revitalização do lado argentino das Cataratas do Iguaçu está explodindo com dinamite as passarelas abandonadas que levavam turistas à Garganta do Diabo, principal salto do complexo, assustando os brasileiros que visitam o Parque Nacional do Iguaçu, em Foz do Iguaçu.
As explosões aconteceram três vezes anteontem. Segundo técnicos da empresa Carlos Enriquez S.A., outras duas estão programadas para hoje, sendo a primeira pela manhã e a segunda por volta do meio-dia.
O engenheiro e coordenador das obras, Enrique Macchione, explicou que estão sendo destruídas as pilastras da antiga passarela, que foi arrastada durante uma enchente em 1982. ‘‘Os riscos são mínimos, pois utilizamos somente 100 gramas de dinamite por metro cúbico’’, disse Macchione. Segundo ele, os resíduos não afetam o equilíbrio ambiental do parque, pois a correnteza se encarrega de levar o concreto rio abaixo.
Questionado sobre o barulho que assustou os visitantes no lado brasileiro, o engenheiro comentou que o som provocado pelas explosões é semelhante ao das quedas. ‘‘O fato é que a antiga ponte ficava bem próxima do lado brasileiro, de frente para o mirante e o elevador panorâmico’’, afirmou.
O diretor do Parque Nacional, Júlio Gonchorosky, não concorda com as explosões e pediu esclarecimentos ao diretor do parque argentino, Ernesto Giaquino. Por enquanto, segundo Gonchorosky, nenhuma informação oficial foi passada.
Macchione comentou que o aviso referente às obras de revitalização, iniciadas há quatro anos, incluía informações sobre as pilastras dinamitadas. ‘‘Estamos fazendo isso desde agosto de 1998. Nesse período, cerca de 80 pilares (pertencentes a outra passarela) foram destruídos e nenhuma reclamação aconteceu.’’
As explosões que ocorreram anteontem (às 8 horas, meio-dia e 16 horas) destruíram apenas 20 dos 70 pilares. O restante será dinamitado durante os próximos 30 dias.
O chefe administrativo da empresa, Hugo Pesenti, informou que todo o trabalho de revitalização do parque argentino deve estar pronto até dezembro. O complexo turístico, que vai contar com centro cultural, estacionamentos, restaurantes e até um trem que transportará os visitantes dentro da mata, está orçado em US$ 15 milhões. Até agora, foram usados US$ 8 milhões.
Dentro do projeto está prevista também a construção de uma nova passarela, com cerca de 200 metros, que levará os turistas até a Garganta do Diabo. A ponte será construída sobre a mesma base daquela que está sendo demolida.

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