Argentina ameaça romper convênio
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terça-feira, 22 de abril de 1997
Valmir Denardin Sucursal de Foz do Iguaçu 
InvasãoAeronaves prejudicam a flora e a fauna, segundo o governo argentinoO governo argentino deu prazo até o dia 5 de maio para que sejam suspensos os vôos panorâmicos de helicóptero sobre as Cataratas. Se a determinação não for obedecida até essa data, o país vizinho ameaça romper o convênio que unifica o controle de tráfego aéreo entre Brasil, Argentina e Paraguai.
A fronteira entre os três países possui três aeroportos internacionais - em Foz do Iguaçu, Ciudad del Este (Paraguai) e Puerto Iguazú (Argentina). Boa parte das aeronaves que utilizam esses aeroportos invadem o espaço aéreo dos países vizinhos em suas manobras. Caso a ameaça argentina se concretize, as operações dos aeroportos, principalmente o de Foz do Iguaçu, estariam comprometidas.
Localizadas no Rio Iguaçu, na fronteira entre Brasil e Argentina, as Cataratas estão cercadas por 237 mil hectares de mata subtropical distribuídas entre os dois países. De ambos os lados, a floresta está protegida por parques nacionais. As Cataratas foram declaradas Patrimônio Natural da Humanidade pela Unesco (órgão das Nações Unidas que trata de educação, ciência e cultura).
Na avaliação do governo argentino, os vôos panorâmicos sobre as Cataratas, realizados pela empresa Helisul Táxi Aéreo, prejudicam a flora e a fauna do parque e atrapalham os visitantes. Durante os vôos, feitos a baixa altitude, os aparelhos invadem o lado argentino do parque, onde estão a maioria dos 275 saltos que formam as Cataratas.
Estudo encomendado pela secretária argentina de Meio Ambiente, María Julia Alsogaray, teria constatado que o barulho dos helicópteros altera os hábitos das aves na selva. Há alguns anos, o governo argentino proibiu o vôo de helicópteros sobre as Cataratas em seu território.
O diretor do Parque Nacional do Iguaçu - do lado brasileiro -, Julio Gonchorosky, acredita que há radicalismo do governo argentino. Se há prejuízo à flora e à fauna, esse prejuízo já foi causado, afirma Gonchorosky. Os vôos de helicópteros no local são realizados há 25 anos.
Ney de SouzaFrequênciaEmpresa de turismo realiza a média de 20 vôos diários sobre as Cataratas
Pelo menos em um ponto, o diretor do parque concorda com os argentinos. A qualidade da visitação realmente é prejudicada, pondera Gonchorosky. Nem todo mundo está a fim de ouvir o barulho de um helicóptero enquanto visita as Cataratas.
O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), que administra o parque, decidiu criar uma comissão para avaliar o impacto ecológico e disciplinar os vôos de helicópteros no local.
Uma das propostas que serão analisadas pelo presidente do órgão, Eduardo Martins, é a transferência do heliponto (local de pouso e decolagem dos aparelhos), atualmente localizado às margens do rio e a poucos metros de alguns saltos, para uma área mais distante. Representantes dos parques argentino e brasileiro vão se reunir hoje para discutir o assunto.


