Áreas públicas de Londrina estão ABANDONADAS
Administração municipal está adiando decisões importantes e outras nem tanto para a equipe do prefeito eleito Nedson Micheleti resolver a partir de janeiro
O caos parece ter tomado conta do gerenciamento dos serviços públicos em Londrina. Com a proximidade da posse do prefeito eleito, Nedson Micheletti (PT), os responsáveis pela atual administração adotaram a estratégia de adiar a tomada de decisões importantes, delegando a responsabilidade para a equipe que assumirá a prefeitura no próximo dia 1º de janeiro.
Nos parques públicos e ruas da cidade, a sujeira denuncia a falta de zelo com a limpeza pública. Na empresa Iguaçumec, em Cornélio Procópio, uma usina completa de moagem e reciclagem de lixo pertencente à Prefeitura de Londrina, que inclusive já está paga, aguarda há quatro anos a liberação de um terreno onde possa ser montada. Enquanto isso, a cidade enfrenta o problema de saturação do lixão, cuja estrutura não comporta mais o recebimento dos dejetos.
A indefinação sobre um local para abrigar os camelôs que trabalham no centro da cidade é um capítulo à parte nesta novela. Acomodados provisoriamente na Praça Rocha Pombo, tombada pelo Patrimônio Histórico, eles aguardam que o próximo prefeito decida sobre um local definitivo para se instalarem.
A prefeitura liberou por decreto a construção de quatro novos cemitérios particulares na cidade, há cerca de um mês. Os projetos só não foram aprovados por causa da mobilização da comunidade, que pressionou o poder público pela realização de análises mais aprofundadas antes de tomar uma decisão que poderia comprometer o meio ambiente.
A opinião do londrinense Luís Henrique Guiraldi confirma o quadro descrito. Londrina está abandonada, não há gerenciamento por parte do poder público. Os eleitores elegem os governantes para serem representados, mas ninguém está tomando conta da cidade. Queria saber para onde vai o dinheiro da arrecadação dos impostos, questionou.
Insegurança e falta de manutenção compõem a paisagem das praças e parques públicos. Em várias partes do município, frequentadores reclamam que a falta de zelo está transformando espaços de lazer em depósitos de lixo e abrigos para andarilhos, usuários de drogas e marginais.
No Bosque e no Zerão, localizados na região central, a reportagem da Folha identificou brinquedos quebrados, falta de banheiros e depredação do patrimônio público. Os usuários reclamam também da falta de segurança, denunciando que os portões de acesso ao Bosque ficam abertos 24 horas por dia, facilitando a entrada de ladrões e usuários de entorpecentes.
A professora Aparecida Brenny, proprietária de um salão de beleza nas proximidades do parque, contou que suas funcionárias evitam passar pelo Bosque, temendo assaltos. As moças que tomam ônibus na Rua Pará enfrentam também o constrangimento de se deparar com um homem que constantemente se exibe no local. Ele fica pelado à luz do dia, sendo que existe uma escola bem em frente. Uma funcionária já ligou para a polícia mas ninguém fez nada, disse.
No Zerão, os brinquedos quebrados obrigam as crianças a fazer fila para usufruir dos balanços. No dia em que a equipe da Folha esteve no local, havia apenas dois balanços para sete crianças. Antes tinha gangorra e muitos brinquedos, mas as pessoas estragam tudo, reclamou Natália Santos, 7 anos.
A situação precária encontrada nos parques públicos de Londrina chamou a atenção da organização não-governamental (ONG) Central Cidadão, cujos voluntários estão se mobilizando para revitalizar o Zerão. Hoje, a partir das 8 horas, começam a ser pintadas as três quadras esportivas do local, utilizando material arrecadado pela ONG junto a empresas da cidade. A pintura será feita por trabalhadores cedidos pela AMA.
O projeto da Central Cidadão inclui revitalização total do Zerão e do Parque Arthur Thomas, sempre através de doações e trabalho voluntário. O cidadão não pode se acomodar diante da morosidade do poder público, mas tem que assumir algumas responsabilidades, se quiser um local melhor para viver, afirmou o voluntário Fernando Pires.





