Áreas de instabilidade se deslocam para São Paulo Chuva atrapalha vida do londrinense
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segunda-feira, 19 de julho de 2004
Adriana Savicki<br> Reportagem Local 
Casacos e guarda-chuvas. Essas foram as coisas mais vistas ontem nas ruas de Londrina. Depois de um domingo particularmente chuvoso, a segunda-feira não deu trégua e atrapalhou a vida de quem precisou sair de casa. Até o início da tarde, o Sistema Meteorológico do Paraná (Simepar), havia registrado 21,2 mm3 de chuva, praticamente a mesma quantidade de todo o domingo, com 21,4 mm3. A boa notícia é que, segundo o órgão, há previsão de melhoras para os próximos dias.
Trânsito complicado, pontos de ônibus lotados de sombrinhas e muita dificuldade para se locomover principalmente para moradores de bairros sem asfaltamento. No Jardim São Marcos (Zona Sul), além do barro, os moradores sofrem com a falta de ônibus, logo quando mais precisam.
A linha 201, que desvia do itinerário normal e passa pelo bairro em apenas alguns horários do dia não entra quando chove. ''O ônibus enroscou aí nesse monte de terra e os moradores tiveram que ajudar'', diz uma moradora.
Sem o ônibus na porta, resta subir quase 500 metros até o asfalto. ''É muito difícil aqui quando chove'', diz o pintor Jobinha de Souza França, 38 anos. Como o local ainda está em fase de regularização era um assentamento os moradores já sabem que não devem ver o asfalto tão cedo.
Muito pior situação é a da dona-de-casa Maria Aparecida Lopes da Silva, 37 anos. Ela reza praticamente todo dia para que o tempo seja de sol. Toda vez que chove, a casa dela é inundada. Construída abaixo da linha da rua e sem escoamento, o quarto das crianças ela tem cinco filhos verte água pelo chão de concreto. ''Hoje de manhã a gente tirou mas se começar a chover a água volta de novo, não tem jeito'', conta, mostrando os móveis empilhados sobre tijolos para evitar que fiquem molhadas. O problema é tão grave que até quando o vizinho de cima lava o quintal já ocorre infiltração.
Segundo ela, o problema começou depois que ela aumentou a casa, há quase cinco anos. ''Estou desgostando de morar aqui, rezo todo dia para não chover se não fosse os vizinhos ajudarem não sei o que seria da gente'', afirma Maria Aparecida. Para resolver as infiltrações, ela afirma que deveria fazer uma canaleta de escoamento. Contudo falta dinheiro. Ela está desempregada e vive do dinheiro do bolsa-escola.
Felizmente para dona Maria, o tempo deve melhorar nos próximos dias. Pelo menos é essa a previsão do Simepar. Segundo o meteorologista Fernando Mendonça Mendes, o excesso de chuva do final de semana é um reflexo de uma frente fria que já passou e da entrada de ventos úmidos do Paraguai e Mato Grosso.
Segundo ele, as áreas de instabilidade estão se deslocando para São Paulo e o tempo deve abrir. Para hoje, contudo, não está descartada a possibilidade de chuvas esparsas pela manhã e o sol deve demorar um pouco para aparecer. ''O céu deve permanecer nublado nos próximos dias'', afirma.


