Área social é primeira a ter cortes em municípios
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sábado, 21 de novembro de 1998
Andrea Vendramini 
Municípios da Região Metropolitana de Curitiba - a maioria com infra-estrutura précaria - devem enfrentar uma situação ainda mais difícil para se adequar ao Programa de Ajuste Fiscal do Governo Federal. O equilibrismo para gerenciar arrecadação e despesas terá que ser conciliado também com medidas para reduzir os gastos. As cidades planejam desde de procedimentos mais simples - como usar menos os telefones - até cortes mais drásticos, como o adiamento de obras essenciais e a suspensão de serviços sociais.
O prefeito de Agudos do Sul, José Pires de Oliveira (PTB), acredita que área mais afetada será a social. O muncípio, que arracada cerca de R$ 150 mil por mês e acumula dívida de R$ 1 milhão, já suspendeu a ajuda a 150 famílias que ganhavam alimentos. Seremos obrigados a reduzir o atendimento as 70 crianças da creche, disse. Ele explica que o repasse de verba do governo Federal por criança, que era de R$ 18,00 por mês, sofrerá redução de 45%.
O prefeito prevê ainda o comprometimento das obras de readequação de cerca de 15 quilômetros de estradas rurais. Teremos que reduzir a distribuição de medicamentos e o transporte escolar oferecido, lamenta. O auxílio para a construção e reforma de casa de madeira para a população carente foi suspenso.
Em Balsa Nova, as medidas para reduzir os gastos serão definidos numa reunião entre o prefeito Edmundo Bora (PTB) e sua equipe. As áreas social, da educação e da saúde serão priorizadas, mas sabemos que o cronograma de obras terá que ser alterado, explica o diretor do Departamento de Administração, Eloi Hella. A Prefeitura, que arrecada cerca de R$ 300 mil por mês, já está controlando o uso das linhas telefônicas, energia elétrica e veículos.
Municípios mais ricos também planejam cortes. A proposta de reforma administrativa do prefeito de Campo Largo, Newton Puppi (PFL) prevê a diminuição de 13 para 8 o número de secretarias. O projeto, que deve ser votado na Câmara Municipal ainda neste mês, determina a criação de uma Secretaria de Governo, que acumularia funções desempenhadas pela Assessoria Civil, Chefia de Gabinete e Cerimionial.
Segundo o secretário de Finanças e Orçamento, Artur Petroski, a meta é economizar R$ 200 mil por mês. Uma comissão especial estuda cortes no quadro de funcionários, redução de 50% dos imóveis alugados e do uso de veículos e equipamentos locados. A despesa com contas telefônicas, que soma R$ 17 mil, será reduzida para R$ 5 mil.


