A área que deverá ser apresentada como a mais apropriada para abrigar o novo aterro sanitário de Londrina está localizada dentro de uma fazenda na Usina Três Bocas (Zona Sul). Em reunião ontem entre a Promotoria de Defesa do Meio Ambiente, Instituto Ambiental do Paraná (IAP) e Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), ficou acertado que o processo de avaliação das três áreas em estudo será agilizado para que seja concluído o Estudo de Impacto Ambiental e Relatório de Impacto Ambiental (EIA/Rima). Somente após essa etapa é que poderá ser realizada a audiência pública que irá deflagrar ou não o licenciamento da obra. A expectativa é que a consulta popular seja realizada já em outubro.
O chefe regional do IAP, Ney Paulo, argumentou que a conclusão do EIA/Rima das áreas que estão sendo avaliadas esbarrou em algumas dificuldades, como as reclamações feitas pelas comunidades do entorno. Uma das maiores preocupações nestes quase dois anos de estudo, no entanto, eram os riscos para a captação da água no Ribeirão dos Apertados, mas uma resolução assinada entre a Secretaria Municipal do Ambiente (Sema) e IAP prevê que no novo aterro todo o chorume (resíduo tóxico resultante pela decomposição do lixo) produzido não será despejado em nenhum manancial. Ele será tratado e a água que sobrar será reutilizada no próprio aterro.
Mesmo assim, a promotora do Meio Ambiente, Solange Vicentin, solicitou que a Sanepar faça um levantamento dos custos para que a captação da água aconteça em trecho anterior ao aterro. Seria uma prevenção extra, explicou, contra eventuais acidentes ambientais. Ela apontou que a agilização do aterro se tornou ainda mais urgente porque o Ministério Público Federal enviou recentemente um comunicado à promotoria alertando sobre os riscos que o atual aterro oferece à segurança do Aeroporto de Londrina. A distância entre o Aeroporto e o aterro (localizado na Estrada do Limoeiro, Zona Leste) é muito menor do que os 20 km exigidos pela legislação federal. O perigo para as aeronaves são a presença de pássaros nas proximidades.
Esse risco, entretanto, foi descartado pelo presidente da CMTU, Gabriel Ribeiro de Campos. Ele lembrou que graças a uma parceria com pesquisadores da Universidade Estadual de Londrina (UEL), a população de urubus (aves mais perigosas porque voam mais alto) foi extinta dos arredores do aterro. Ele garantiu que o aterro atual tem condições de continuar em uso ainda pelos próximos dois anos e que até lá espera que a discussão sobre o futuro aterro já tenha sido concluída. ''Introduzimos muita tecnologia lá e isso nos permite usá-lo por mais alguns anos'', apontou.
De acordo com Campos, a área que o IAP teria apontado como a mais apropriada para abrigar o futuro aterro sanitário fica localizada na Fazenda Apertados, na Usina Três Bocas. ''O IAP sinalizou com isso'', garantiu. A informação não foi confirmada pelo chefe regional do IAP mas a Folha apurou que entre as três áreas em estudo, a porção localizada na fazenda citada por Campos tem atrativos importantes como, por exemplo, a profundidade maior do lençol freático. O nome do proprietário da área não foi divulgado. O município dispõe de estimativa de pouco mais de R$ 2 milhões no orçamento para arcar com as desapropriações.

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