Área médica debate micobacteriose
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 22 de janeiro de 2009
Carolina Gabardo Belo<br> Equipe da Folha 
Representantes da área médica de Curitiba e região se reuniram ontem para analisar uma resolução da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que determina normas para o controle da micobacteriose. Encabeçado pela Secretaria Municipal de Saúde (SMS), o encontro colheu sugestões e observações dos participantes.
A micobacteriose, infecção por Micobactérias de Crescimento Rápido (MCR), é provocada durante cirurgias em tecidos estéreis devido à esterilização inadequada dos equipamentos. A resolução da Anvisa apresenta que a "maior incidência (...) está associada a cirurgias plásticas (por videoscopia e convencionais) e procedimentos realizados por escopia que atinjam cavidades corporais estéreis através de orifícios naturais ou por via transcutânea."
O primeiro caso na Capital surgiu em 2007 e, desde então, são realizados estudos sobre seu surgimento e efeitos no organismo. Para evitar novos casos, o município estabeleceu a troca de procedimentos químicos de esterilização (imersão produtos líquidos) para procedimentos físicos (uso da autoclave, em que os equipamentos são submetidos a altas temperaturas). Ao todo foram notificados pela SMS 142 casos suspeitos de micobacteriose na Capital, e 110 foram confirmados. Nenhuma ocorrência foi registrada no ano passado.
Os principais sintomas da micobacteriose podem surgir até 12 meses depois do procedimento. Eles são caracterizados pela formação de nódulos, vermilhidão no local da cirurgia, dificuldade de cicatrização, mas que não chegam a ser fatais. O tratamento é prolongado, tem duração de seis a doze meses, com a combinação de medicamentos antibióticos. "É uma lesão que em alguns casos necessita de um novo procedimento cirúrgico, para limpeza (da área afetada)", explica a médica do centro de epidemiologia da SMS, Juliane Oliveira.
Resolução
Publicada em dezembro do ano passado, a resolução da Anvisa apresenta alguns procedimentos que já são realizados no Paraná, que foram determinados pela resolução estadual 457 de 2008. As contribuições, encaminhadas ontem à agência, foram determinadas a partir da experiência paranaense.
A principal determinação, aprovada pelos participantes da reunião, proíbe a utilização de esterilizadores químicos liquidos para cirurgia e procedimentos invasivos em tecidos estéreis, pois, mesmo com a utilização do componente que é eficaz, o restante do processo, como secagem e manuseio dos equipamentos, pode causar contaminação. "O monitoramento dos produtos químicos é muito rigoroso, é mais difícil de controlar componentes como o PH e o tempo de imersão, o que pode inviabilizar o processo", explica a chefe do serviço de vigilância de produtos e serviços em saúde, Lucinéia Beencke Lino.
"Precisamos de um gerenciamento da demanda e da quantidade de material disponível", complementa a presidente da Associação Paranaense de Controle de Infecção, Maria Edutania Skroski Castro, sobre a utilização imediata de utensílios cirúrgicos e que passam por um processo de esterelização rápido. "Não podemos ser coniventes com uma coisa errada pelas deficiências", refere-se à falta de acesso a produtos como o óxido de etileno, utilizado na esterilização.
Critérios
A equipe sugeriu ainda a determinação de critérios corretos para os procedimentos clínicos diagnósticos em cavidades não estéreis e termosensíveis; proibição do reprocessamento de materiais descartáveis; contratos específicos com empresas terceirizadas para os procedimentos de esterelização, determinações em relação aos materiais sensíveis ao calor -em que o procedimento adequado seria a autoclave-; notificações imediata dos casos, com prazo de até 24 horas no sistema nacional de dados; ampliação do prazo de acompanhamento aos pacientes de 90 para 180, em decorrência de aparição dos sintomas da micobacteriose até um ano após o procedimento e prorrogação do período definido para as discussões sobre a norma, o que, de acordo com Lucinéia, ampliaria as discussões a respeito do assunto.


