Moisés, 12 anos, Jonathan, 14 anos, e Danilo, 12 anos, perderam a esperança de voltar a disputar as partidas de futebol no campinho localizado no fundo de vale do Conjunto Maria Cecília, na zona norte de Londrina. Há alguns anos o local estava tomado pelo mato, o que inviabilizava brincadeiras no local. Na semana passada, quando os garotos perceberam a movimentação para limpar o antigo campinho, ficaram na expectativa de que o terreno poderia ser novamente usado para o fitebol.
Mas, no domingo, algumas famílias pertencentes à invasão da parte de baixo do fundo de vale do Conjunto Maria Cecília passaram a construir seus barracos no campinho que estava desativado. Os garotos ficaram frustrados e continuam o jogo de bola na Rua Ana Caputo Piacentini, que fica de frente para o fundo de vale ocupado. ‘‘Agora é que a gente não vai ter mais nosso campo’’, lamentou Moisés dos Santos.
Segundo Danilo da Silva, há mais de cinco anos que não acontece um jogo no campinho. O serralheiro Adalberto Antônio da Silva mora em frente ao fundo de vale e diz que nunca viu um jogo de futebol no lugar. Outro morador, Marcelo Aparecido Correia, diz que o lugar estava tomado por mato e lixo há anos. ‘‘Agora que este pessoal (as famílias que ocuparam o terreno) limpou tudo para construir suas casas, querem tirá-los daí.’’
O diretor-presidente da Companhia de Habitação de Londrina (Cohab-Ld), Agnaldo Rosa, informou ontem que não irá regularizar a invasão. ‘‘Trata-se de um fundo de vale e ocupação de fundo de vale é crime’’, afirmou. Rosa disse que irá comunicar o fato à Promotoria do Meio Ambiente, Secretaria Municipal de Administração, Instituto Ambiental do Paraná (IAP) e Autarquia Municipal do Ambiente (AMA).
‘‘Não é possível entrar com uma ação de reintegração de posse porque a área não é da Cohab e sim do Município’’, explicou. Rosa disse que esteve na área ocupada no domingo mas no local havia apenas uma família. Luiz Carlos da Silva, desempregado, informou que 40 famílias ocuparam o terreno, mas ontem a tarde existiam na área invadida apenas 15 barracos.
Segundo ele, a maioria das famílias moravam na invasão que fica na parte de baixo do fundo e mudaram-se na expectativa de que nesta área consigam água e luz com mais facilidade. Esta é a quarta invasão que ocorre este ano. As anteriores foram no Jardim Pindorama (zona oeste), Jardim Nova Conquista e Conjunto Novo Amparo, ambos na zona leste.

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