As 62 famílias de sem-terra que estavam acampadas há 60 dias na rodovia que liga Jundiaí do Sul à Guapirama ocuparam na madrugada de ontem a Fazenda Cordilheira, em Jundiaí do Sul (64 quilômetros ao sul de Jacarezinho). Os líderes do acampamento afirmam que as famílias não vão deixar o local nem para a vistoria do Incra.
‘‘Cansamos de aguardar o Incra. O que eles estão pensando que somos?’’, questiona o sem-terra Odair Macota. Segundo ele, estas famílias não são vinculadas ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) e sempre respeitaram as decisões do Incra. ‘‘Estamos desde novembro do ano passado aguardando um lugar definitivo para nós’’, desabafa.
Em novembro de 1996, as famílias ocuparam a Fazenda Santa Maria em Ribeirão do Pinhal. Comprovada a produtividade da área, em 23 de dezembro os proprietários obtiveram a reintegração de posse. O acampamento foi transferido para a beira da estrada na entrada da Fazenda Cordilheira. Quatro meses depois, terminou o prazo pedido pelo Incra para transferir as famílias.
Em maio deste ano as famílias entraram na Fazenda Monte Verde, também em Jundiaí do Sul. O líder dos sem-terra do Norte Pioneiro, Pedro Xavier, justifica que as famílias não poderiam mais continuar na mesma situação e que não iriam mais passar fome. Concedida a reintegração de posse, a alternativa encontrada foi acampar na rodovia, onde permaneceram por 115 dias.
A Fazenda Cordilheira pertence ao empresário Luiz de Souza Gramminam, de Santa Catarina. A área é de 400 alqueires, ocupados com gado. Segundo os sem-terra, há oito anos a prefeitura não recebe nota fiscal, nem documentação da fazenda. Já o prefeito de Jundiaí do Sul, Valter Braz (PTB), contestou dizendo que a fazenda é produtiva e recolhe os impostos corretamente.
A superintendente do Incra, Maria de Oliveira, passou o dia de ontem em Maringá e segundo o prefeito de Jundiái do Sul, ela deverá se reunir com ele ainda hoje pela manhã em Curitiba para viabilizarem um assentamento na região.

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