Área do INSS foi ocupada há 25 anos


Luciana Pombo
De Curitiba

Entre os bairros Cabral, Ahu e Barreirinha, em Curitiba, uma área de cerca de 3 alqueires (72 mil metros quadrados), de propriedade do Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS), foi invadida há 25 anos e até hoje nenhum proprietário de imóvel foi retirado do local. Ao contrário das invasões normais, de bairros periféricos, as ocupações são compostas por casas de moradores de classe média e média alta.
Mas nem sempre foi assim. Segundo o aposentado Lauri Ramalho, de 68 anos, as primeiras ocupações da região começaram por volta de 1968. Quando eu vim morar aqui, esta era a maior favela que tinha em Curitiba, afirma ele, por aqui não havia nenhuma construção, nem ruas, apenas indicações de que o bairro iria crescer.
Anos depois, as favelas foram retiradas do local e as famílias obrigadas a procurar outros terrenos para morar. A justificativa era a de que a prefeitura iria utilizar as áreas da Previdência para fazer aqui um dos portais da cidade, declara o aposentado. Como nada foi feito, os invasores retornaram e construíram casas de alvenaria em apenas 48 horas.
De acordo com Ramalho, os terrenos foram registrados em cartórios de títulos à revelia do INSS e vendidos por grileiros por valores que variavam entre R$ 2 mil a R$ 3 mil (valores atualizados). Isto tudo só aconteceu porque a Previdência nunca cuidou de nada, a área é improdutiva e o dinheiro da nossa aposentadoria está parado aí, acusa ele, é triste, mas tudo isto está jogado às traças.
Os moradores da região não querem atender a imprensa. Quando falam, não gostam de ser identificados ou fotografados. Mas todos garantem que compraram o terreno e que têm a documentação que torna as áreas legais. Este é o caso da secretária aposentada Gilda Vieira Queiroz, de 42 anos. Ela mora com três filhos e o marido numa casa que fica na Rua Vereador Garcia Rodrigues Velho, num terreno de propriedade do INSS. Gilda disse que comprou o terreno quando ainda era noiva em 1973 e iniciou a construção em 1979. Quando compramos isto, conseguimos inclusive o registro de imóveis, depois houve um problema com a prefeitura e tivemos que sair daqui, conta ela.
Mesmo contra a decisão municipal, Gilda declara que voltou para o terreno em 1989 e construiu a casa que, atualmente, é de material. A aposentada diz que não tem medo de ser despejada e que vai lutar para permanecer no local.

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