A invasão de terrenos, muito comum na área urbana, chegou ao distrito de Lerroville (zona sul de Londrina). Uma área de 16 alqueires, onde está prevista a instalação da Vila Rural do distrito, foi ocupada anteontem à noite por 20 famílias de bóias-frias. Elas alegam estar desempregadas e sem lugar para morar.
Localizada próxima ao campo de futebol do distrito, a área abrigava, ontem de manhã, apenas seis barracas de lona preta, erguidas perto da estrada. ‘‘Não temos dinheiro nem para comprar mais lonas. Passamos a noite aqui, sem cobertas e tentando nos esquentar fazendo umas fogueiras’’, disse Romeu Fernando de Araújo, 23 anos. Ele é um dos líderes da invasão.
Romeu Araújo garante que todos os ocupantes são bóias-frias e não estão ligados a nenhum movimento sindical ou popular. Casado com Lúcia e com um filho de oito meses, Romeu Araújo conta que morava em uma casa alugada, mas foi despejado pelo proprietário porque ficou quatro meses sem pagar.
‘‘Não tem serviço, não tínhamos nem o que comer, imagina se ia ter dinheiro para o aluguel’’, afirma.
Foi quando surgiu a idéia de invadir a área da futura Vila Rural, um projeto do Governo do Estado. ‘‘Fui encontrando mais gente que também está na miséria, conversamos e resolvemos invadir’’, resume Romeu Araújo.
Ele diz que passou a noite acompanhado da mulher e do filho. ‘‘O menino chorou um pouco, mas tínhamos que ficar por aqui para ver se a gente consegue alguma coisa.’
O bóia-fria informa que a escolha do local se deu por causa da demora em instalar a Vila Rural. ‘‘Faz mais de um ano que estamos esperando’’, afirma. Ele conta que entre os ocupantes há muitos que estão cadastrados para ver se conseguem uma vaga no projeto.
Os pais de Romeu, Maria Socorro, 53 anos, e Sebastião Firmino dos Santos, 63 anos, também participaram da invasão. ‘‘Faz mais de 60 dias que não aparece serviço’’, reclama Maria Socorro. ‘‘E o subprefeito (Denilson Nascimento) nem dá atenção pra gente. Viemos para cá pra ver se alguém faz alguma coisa’’, acrescenta Sebastião dos Santos.
Geraldo Ferreira dos Santos, 58 anos, diz que participou sozinho da ocupação porque a mulher, doente, ficou na casa alugada. ‘‘Pago R$ 60,00 só de aluguel, fora as contas de água, luz e comida’’, reclama. Ele diz que faz mais de três semanas que não aparece um trabalho e está sobrevivendo de ‘‘bicos’’.
Vizinhos da área invadida acompanharam todo o movimento e garantem que a ocupação foi pacífica. ‘‘Não ficamos com medo’’, garante um morador.
‘‘Eles estão certos, o terreno estava largado, servindo de pasto pro gado’’, acrescenta. Outra moradora acredita que os bóias-frias tomaram a atitude certa porque agora ‘‘alguém vai ter que tomar uma providência’’.
Segundo Romeu Araújo, cada família se contenta com um lote de 300 metros quadrados, suficiente para construir uma casa - o projeto do governo Estadual prevê uma área de cinco mil metros para cada família morar e cultivar.
Os líderes adiantam que esperam, para os próximos dias, a chegada ao local de cerca de mais 30 famílias. Eles garantem que, após a entrada delas, não permitirão que outras pessoas ocupem a área.
Três policiais militares estiveram ontem de manhã na área invadida. Eles informaram que foram à área apenas para checar a situação e, então, passar um levantamento ao comando do 5º Batalhão da Polícia Militar.

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